sábado, 28 de novembro de 2009

ESCRITOS Nº 34

Herbário de Eunice Mendes
20/08/2009

VISITA DE MÉDICO

O velho Dr. Bento era boa criatura, benquisto por todos na pequena cidade. Meio desocupado, gozava de modesto ócio com dignidade, e só tinha um defeito: a mania de fazer visitas. Desde que levantava, bem cedo para ter mais tempo de não fazer nada, dedicava-se à ocupação favorita. Eram visitas rápidas, dessas de médico (quando ainda faziam), entrando por uma porta e saindo por outra. Numa casa engolia o cafezinho, na outra sugava a bomba do mate, na terceira enrolava um cigarrinho. Assim, no correr do dia, eram muitas as visitas feitas, nos lugares mais diferentes e inesperados da cidadezinha.
Tinha, é claro, as casas preferidas, onde aparecia todos os dias. "Ia assinar o ponto" – dizia, bem humorado. Uma de suas vítimas era o Orly Tabelião, onde comparecia diariamente, sem falta, nos momentos mais impróprios.
Cansado daquilo, Orly arquitetou um plano e, numa manhã ensolarada, antes que o velho charlatão fosse para a rua, bateu à porta do casarão onde morava. Surpreso, o Dr. Bento recebeu o visitante com cara cheia de curiosidade, o sorriso forçado aflorando nos lábios. Orly foi entrando, pediu licença para tirar o casaco e colocou sobre a mesa o pacotinho que trazia. Refestelou-se na poltrona mais próxima, esticou as pernas e principiou uma conversa que prometia ser longa.
E assim foi.
Orly Tabelião esmerou-se em descobrir assuntos. Diante do anfitrião desconcertado, fez as perguntas de praxe sobre a saúde e a família, comentou as safras e os preços, rezingou contra a carestia, lembrou os mortos mais recentes e os negócios mais falados. Depois, - sem deixar o outro dizer a, - resvalou para a política municipal, com incursões pela história, desde a República Velha, a campanha pelo voto secreto, os golpes e contragolpes, até a eleição do atual prefeito.
Desconfiado e incrédulo, Dr. Bento não sabia o que fazer. Com olhares ressabiados ao pacotinho largado sobre a mesa, servia chimarrão e escutava, escutava.
Chegada a hora do almoço, o dono da casa não teve jeito e convidou a visita para passar à sala de refeições. Sempre falante, ágil como nunca, Orly não se fez de rogado. Comeu, repetiu, elogiou. Como amigo da casa, até reclamou do cafezinho.
Voltaram às poltronas.
Orly falava, o tempo se arrastava. Dr. Bento cochilava. E ouvia.
A tarde avançava, pesada, quente. Inquieto, o dono da casa mandou servir mais café e reiniciou o mate. Alguns sons estranhos invadiam a sala, enquanto o monólogo posseguia. Desiludido de participar da conversa, Bento se conformou, enterrado na poltrona.
Orly agora abordava a situação internacional, revelando sua preocupação com os conflitos do Oriente Médio.
Até que veio o jantar e depois mais café e mais chimarrão...
Orly Tabelião falava.
Quando a noite se fechou, a sala foi tomada pelo silêncio, os movimentos cessaram nas dependências da casa. A visita reclamou alguma bebida e Bento mandou servir cerveja.
Reanimado, o Tabelião achou novos assuntos.
Nenhum deles agüentava mais. O chimarrão foi encostado, copos e xícaras ficaram largados na mesinha. Tardava a noite, a cidade dormia.
Orly Tabelião fez afinal uma pausa. Levantou e deu alguns passos pela sala. Ansioso, Bento esperava que ele se despedisse.
A visita olhou o relógio.
"É tarde, Bento, muito tarde. Está na hora de dormir."
Em seguida, apanhando o pacotinho da mesa, completou:
"Mande arrumar a cama que eu já trouxe aqui o meu pijama..."
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Nunca mais Orly Tabelião recebeu a visita do Dr. Bento. Quando se encontravam na rua o velho médico se limitava a rápido aceno de saudação.

ENÉAS ATHANÁZIO
Balneário Camboriú/SC
in: Jornal do Enéas nº 22
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do meu lado
só Deus
fica acordado

lá fora
nem os sinos
tocam mais

nem os cães
ladram ao longe
nem o trotar
das charretes
atravessa a noite

tudo é silêncio
tudo é austero
não há sinais

parece que a vida
dorme sem sonhos

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
Contato com a autora:
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS CARÍCIAS...

Minha mão percorre teu corpo
como água seguindo o rio.
Encontrando emoções.
Encontrando sentimentos.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
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TROVA

Para preservar amores,
guarde um carinhoso afã:
deslize por entre as flores,
como o orvalho da manhã!

FERNANDO VASCONCELOS
Ponta Grossa/PR
in: Gotinhas de Orvalho
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BIOGRAFIA

TERÊNCIO - Publio Terêncio Afer (185a.C.? - 159a.C).

Nasceu na África, vendido como escravo ao senador Terêncio Lucano,
que lhe deu educação e, algum tempo depois, a alforria.
Composta por seis comédias, a obra de Terêncio,
escritas em verso, resistiu a ação do tempo.
São elas: Andria, Hécira, Heautontimoroumenos,
O Eunuco, Formião, Os Adelfos.
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1º DE MAIO
DIA MUNDIAL DO TRABALHO

Surgiram campanhas e mobilizações para maiores salários
e redução de jornada de trabalho.
Explodiram greves em todo mundo industrializado.
Chicago era considerado
um dos principais pólos industrializados norte-americanos,
um dos grandes centros sindicais.
Duas grandes organizações lideravam os trabalhadores:
a AFL (Federação Americana de Trabalho)
e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho).
Essas organizações eram compostas principalmente
por trabalhadores de tendências políticas socialistas,
anarquistas e social-democratas.

(continua na próxima edição)
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CONQUISTAS AMOROSAS

Na minha mocidade tive um amigo metido a conquistador. E só conquistava mulheres bonitas.
A primeira mulher que virou sua cabeça, foi uma loura encantadora. Chamava-se Creusa. Apaixonou-se até pelo nome... Ela nada queria com ele. Cativou-a devagarinho e terminou conseguindo lugar em seu coração. Tornou-se sua esposa. Conviveram dezesseis anos. Depois dela, várias entraram em seu viver.
Mesmo assim, apesar de tantas, jamais pode entendê-las. Dizia:
- São difíceis de ser compreendidas.
A mais recente conquista deu-se há alguns dias atrás.
Casada. Dois filhos. O marido trocou-a por outra. Inconformada, aqui, acolá, chorava pelos cantos da casa tão vazia!
Encontrou-a telefonando.
- Procurando conversar com o marido?
Ela simulou sorrindo. Respondeu silenciosa, apenas fazendo careta.
Ficou dando em cima dela. Botou toda a sedução nela. Foi a mais dura de derrubar.
No dia em que ela estava se chegando, convidou-a para um encontro. Somente não levou um tapa do rosto porque usou da destreza possuidora.
- Olha, estás me achando rapariga? Pensas que por ter sido traída pelo meu marido, eu também vou traí-lo? Estás quadradamente enganado, seu...
Três dias depois, ele recebeu de um garoto, um bilhete dizendo assim:
"Amanhã estarei te esperando às nove horas, em frente ao Correio. Em casa não dá. A vizinhança pode descobrir. Te amo. Tânia."

JOÃO BATISTA SERRA
Caucaia/CE
in: O Patusco nº 88
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FRASES DE VOLTAIRE:

* Um dos méritos da poesia, que muita gente não percebe, é que ela diz mais que a prosa e em menos palavras que a prosa.
* Todas as riquezas do mundo não valem um bom amigo.
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O BLUES

(...)
O "sentimento" harmônico do blues, e de quase toda a música afro-americana, talvez se remonte também a estas raízes. Houve nos primeiros anos de pesquisa sobre o jazz e o blues, um considerável interesse no que se denominou blue notes. Estas eram as notas da escala européia, normalmente a terceira e a sétima, que no blues e no jazz se cantavam e tocavam freqüentemente com um aumento ou descida de tom.
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
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ESPAÇO DO LEITOR

AO SOM DO MAR

Movimentos
sonoros
embalam
sentimentos

lembram
acordes da alma
na ponta dos dedos

Mãos ou gaivotas
teclado ou firmamento?

Elevam
em asas
ao voo real
dos mistérios
do mar
aos mistérios
do amar.

NEIVA ROSSO DA ROSA PERES
Santa Maria/RS
in: O Ímã da Retina
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MEU PAI

Homem do campo
bandeirante anônimo,
raiz, pedra, chão
por tal esforço erguido
alto, bem alto
quem sabe elevou-se a Deus,
quem sabe?
De um trabalho árduo
de uma paixão dedicada
surge a terra.
Panorama
menina dos olhos seus,
dama,
Ah, recanto de água mansa
aprazível Fazenda
fantasia de criança!
Homem do campo
bandeirante anônimo,
raiz, pedra, chão.

MARIA JOSÉ MENEZES
Vitória/ES
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Clima de inverno.
Idéias frias...
Poema letal.

CECÍLIA FIDELLI
Itanhaém/SP
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DICAS DE LEITURA:

UMA ESTRELA NO AZUL - poemas - Aparecida Mariano de Barros - Ed. In House - 2009. Com 18 livros publicados, Aparecida Mariano nos brinda com este novo volume de seus singelos poemas, haicais e trovas. Linguagem simples e cativante vai encantar os amantes da poesia.

SONETO ANTIGO - poemas - Anderson Braga Horta - Ed. Thesaurus - 2009. O renomado poeta Anderson Braga Horta reúne sonetos solares, românticos, visionários, graves, gaios, de céu e inferno, de acordo com sua sugestiva nomenclatura. Escritos entre 1950 e 2000, os sonetos apresentam dedicado esmero de um dos grandes poetas deste país.
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INFORMAÇÃO IMPORTANTE:

Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa, que poderão vir a ser publicados se estiverem de acordo com o perfil da nossa linha editorial.
Os textos aqui publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores.
O fanzine impresso pode ser adquirido pelo custo simbólico de R$ 2,00.
Assinatura Anual: R$ 10,00.
Maiores informações entre em contato com o editor:
Walmor Dario Santos Colmenero
Endereço Postal: Pça Nossa Senhora das Graças, 76 apto. 11
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Endereço eletrônico: walmordario@ig.com.br
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domingo, 13 de setembro de 2009

ESCRITOS Nº 33


POEMAS DE TU FU

Não me tragam mais flores, mas ramos de cipreste, onde mergulharei meu rosto!

Quando o sol desaparece detrás das montanhas, ponho o meu traje azul, de mangas leves, e vou dormir entre os bambus que ela amava.

Minha barca desliza rápida. Contemplo o rio. Há nuvens passando pelo céu.

A água é também uma noite clara. Quando uma nuvem escorrega por cima da lua, vejo-a escorregar no rio e parece-me que vago em pleno céu.

Penso em minha amada, que se reflete assim no meu coração.
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Se eu estivesse convosco, senhor, lá longe, entre os vossos camaradas, talvez a vossa coragem diminuísse.

Levei muitos meses a tecer meus vestidos de fino pano, em vossa homenagem. Sem dúvida, nunca os vestirei.

Renunciei às jóias, às pinturas. Renunciei às flores. Mas contemplo os pássaros que voam aos pares e invejo-os.

Ó meu esposo, quando se poderão encontrar os nossos olhares?
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Esperamos pelo crepúsculo para passearmos de barco. Uma leve brisa encrespa a água azul e embala os nenúfares. Pelas margens, por onde chovem flores de cerejeira, avistamos ternos passeantes.

Meus galantes amigos preparam bebidas geladas. As belas moças cheiram glicínias brancas.

Olho para uma nuvem que paira por cima de nós. Vamos ter chuva. E eu comporei alguns versos sobre a inconstância da felicidade.

TU FU
Poeta Chinês, nasceu em Tu-ling, Chen-si em 712 e faleceu provavelmente em Tanchow, no Kwangsi Chuang em 770. De família de intelectuais, tomou gosto por viagens, travando conhecimento com o poeta Li Tai Po, de quem se tornaria amigo. Tornou-se um dos maiores portas da China, preocupando-se com os problemas do seu tempo. Sua obra é dividida em quatro fases: primeira e segunda, abordam problemas políticos – terceira, o drama da guerra – a última, as viagens na velhice, relembrando a mocidade, os amigos e os tempos vividos. Sendo chamado pelos chineses de "poeta sagrado", era mestre da métrica chamada "regulada", em sete palavras (liu-chi). Suas obras completas tiveram dezenas de edições.
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você faz o real adormecer
como um menino
e despertar sorrindo.
teu peito
é ninho de passarinho
amor-perfeito
beijo de colibri
um poema feito
em forma de vida
em sonho de amor

você é o meu real desfeito
em sonho ideal refeito
minha utopia vencida
alquimia
poesia traduzida
quimera invertida
vida que ressuscita
flor interna
que se desdobra
e desabrocha
em primavera definitiva.

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Flores e Frutos
Contato com a autora:
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS SOLIDÕES...

Uma sala vazia.
Uma vida abstrata.
Um poema inacabado.
Um quê que falta.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
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POEMETO II

A cidade muda a face
como a face muda
em nós.

Mas a cidade é pedra;
nós, giz.

LARÍ FRANCESCHETTO
Veranópolis/RS
in: Espelho das Águas
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GALÍCIA

enquadrar o cinza de Vigo
sob a chuva de julho: aqui uma escada
adiante a fortificação
de repente uma parede
e a frase Galiza nom tem reys

entrar no A Curuxa
num dos múltiplos becos
apenas por entrar

embriagar os olhos
com a ria de Vigo
no verão do Atlântico norte

cruzar uma cidade em obras
com mãos que folheiam mapas
e boca que soletra nomes de ruas
— a de Rosalía de Castro
poeta do 19
acima à esquerda

ver no mastro da capitania
em amarelo e vermelho
a bandeira que usurpa
o vento galego

mais que uma canção medieval
memorizada há tempos
Vigo é hoje uma sequência
no cartão de memória
da câmera digital

SÉRGIO BERNARDO
Nova Friburgo/RJ
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NÁUTICA

A Olga Savary

navego
em tua essência

mergulho nos seixos
que te habitam
mas não naufrago

o mar nos pertence

LUIZ OTÁVIO OLIANI
Lins de Vasconcelos/RJ
in: Espiral
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POEMA

Nossos ancestrais
Oprimidos
Nos deixaram
Essa docilidade
Inútil

DJANIRA PIO
São Paulo/SP
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PROVÉRBIO ZEN:

"O homem de bem, exige tudo de si próprio; O homem medíocre, espera tudo dos outros."
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1º DE MAIO - DIA MUNDIAL DO TRABALHO

Em memória aos mártires e às reivindicações de 1886, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho. No MPC – Modo de Produção Capitalista era comum a prática selvagem, buscava-se a extração da mais-valia, baixos salários, comprometendo a saúde física e mental dos trabalhadores, com jornadas de trabalho de até 17 horas diárias, sendo comum nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Os trabalhadores inventavam tipos de organização: caixas de auxílio mútuo que futuramente se tornariam os sindicatos.

(continua na próxima edição)
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PANDORGA, PAPAGAIO, PIPA

Pandorga!
Ela sempre era
A estrela diurna.

Distância de minha infância.

Tempo de vento
Desejo amadurecido
Já era primavera
E o céu ficava colorido.

Amarelo, azul, verde e vermelho.

Papel de seda
Preso em varetas,
Com grude de farinha
Ou goma arábica.
Na armação feita de taquara bambu.

A cauda era tiras de pano que estavam no baú.
Linha 16 marca corrente.

Eu não podia empinar
Era criança deficiente
Meu irmão sempre me dava uma mão
Ele era excelente.

Me sentia subindo junto a pandorga
Ficava no alto – ficava isolado
Ela dançava conforme a brisa
Dançavam juntos meus olhos
Dançavam minhas mãos
Sustentando o vento que batia.

Ficava feliz vendo todas no alto
Nunca combatia
Nunca fui "caçador de pipa".

CARLOS CASSEL
Caçapava do Sul/RS
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FRASES:

"De que adianta você ter esta alma colada aos ossos dessa carne errada? Sem o risco, a vida não vale a pena." - GOETHE (Escritor alemão)
"O gênio, em geral, é poético." - NOVALIS (Poeta e Pensador alemão)
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MENSAGENS:

"Nada melhor do que a sinceridade para melhorar as nossas relações."
"Quando falamos a verdade vivemos bem melhor."
"As desculpas e mentiras só nos causam problemas."
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O BLUES

(...)
Uma das características mais usadas no blues é o mesmo tipo de acento flutuante, apesar da regularidade do ritmo de acompanhamento. O violão normalmente segue o modelo do acorde com um compasso regular. A voz começa pelo menos um compasso e, algumas vezes, até três compassos antes de que varie o acorde. Este tipo de antecipação pode-se identificar nas zonas de blues rural. A antecipação proporciona ao blues algo do "flutuar" das interpretações dos griots.
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
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ESPAÇO DO LEITOR

MATEMÁTICA DA VIDA

Adiciona carinho e amor fraterno
Diminui o egoísmo e a ambição na tua vida
E encontrarás a sonhada felicidade
Que julgavas estar perdida!

Divide as alegrias com teu semelhante
Multiplica o bem-querer e a esperança
Serás muito feliz em tua vida
Se tiveres fraternidade, amor e paz na tua lembrança!

ANTONIO PEREIRA MELLO
Santa Maria/RS
in: Seara de Versos
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HAICAI

Pétalas de flores
na rede do pescador
Mar de Primavera.

HAZEL DE SÃO FRANCISCO
São Paulo/SP
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A LUA

No céu da boca
A lua imensa
Pura insana
Na negra
Imensa noite
Tão lua
Tão nua
Amarrotada
Em lençóis de cetim
E em camas
De nuvens densas
Desnuda
Segredos abissais.

ADÃO WONS
Cotiporã/RS
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TROVA

Quisera poder pintar
com nuances do arrebol
a mãe num fulgente altar,
ao lado do pôr-do-sol.

HENNY KROPF
Cantagalo/RJ

DICAS DE LEITURA:

ANTOLOGIA MENINOS ME (Mulheres Emergentes) - poesia e prosa - org. Tânia Diniz - Edições Alternativas - BH/MG - 2009. Tânia Diniz, idealizadora dos projetos Mulheres Emergentes (ME) apresenta esta excelente coletânea dedicada, desta vez, aos homens. Numa homenagem a todos aqueles que sempre incentivaram seu trabalho de estímulo e propagação das artes. Vários estilos de leitura de boa qualidade.
Confira: http://mulheresemergentes.blogspot.com/

LIVROS DE EUNICE MENDES:

* Cerimônia das Flores – Valor: R$ 15,00
* Flores e Frutos – Valor: R$ 15,00
* Sino dos Ventos (Haikais) – Valor: R$ 10,00
* Lua na Janela (Haikais) – Valor: R$ 10,00
* Espaços do Vazio (Haikais) – Valor: R$ 10,00
* Nuvens de Sol – Valor: R$ 10,00
* Sonhares – Valor: R$ 15,00

Contato: Eunice Mendes
e-mail: walmordario@ig.com.br

LIVROS DE
WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO:


* Poemas Bluseiros – Valor: R$ 8,00
* Um Poeta na Itália – Valor: R$ 8,00
* A Multiplicação do Nada – Valor: R$ 8,00
* Das... – Valor: R$ 8,00

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Walmor Dario Santos Colmenero
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sábado, 18 de julho de 2009

ESCRITOS Nº 32

A PARTEIRA

A velha Emerenciana, não tão velha assim na época, esperava o décimo rebento. E Tio Lulu comentava com o pai, o compadre Querêncio:
- A Bigúvia vai mandar algumas roupinhas.
Ao que o compadre Querêncio retrucava:
- Não precisa. É só uma vez por ano...
E chegou o tão esperado dia. Nas primeiras dores da mulher, Querêncio encilhou o pangaré e, na passagem, parou na casa do compadre Lulu.
- É pra hoje - falou. Vou buscar a parteira.
- Vou junto - falou o outro.
E lá se foram estrada afora, proseando. Era um sábado, à noitinha.
Percorridos alguns quilômetros - as parteiras, lá nos perdidos rincões, nem sempre moram perto, - já ouviram, alegrando o pampa, um ronco da cordeona numa bailante próxima. Nem precisaram combinar. Os matungos dirigiram-se, quase que instintivamente, para o fandango.
- Vamos só dar uma olhada - falou Tio Lulu.
- Não podemos demorar... muito - falou o outro.
Cinco da manhã, dia clareando, seguiram viagem já esquecidos da tarefa. Lá pelas tantas, um grande ajuntamento. Carreira em cancha reta. A programação para o domingo estava feita. Segunda tinha marcação do gado numa fazenda próxima e rolaria um churrasco macanudo. Acabaram arranjando trabalho por alguns dias. Dez, para ser mais exato. Depois veio o açude, para o qual o proprietário precisava reforçar a taipa. E lá estavam os dois novamente, carregando sacos de plástico cheios de terra, para ganhar alguns cobres. A filha do dono era de tirar o chapéu. Vez por outra ia até o açude levar água ou alguma comida. E a dupla ali, babando, esquecida da vida... Depois seguiram adiante, parando aqui e ali, um mundão sem porteiras.
Nessa brincadeira toda, o tempo não parava. Até que certo dia:
- Querêncio! E a parteira?
- Puxa vida! Esqueci. Barbaridade! Vamos lá.
Para encurtar o causo, quando chegaram em casa, o piá completava dois meses. Já queria até engrolar algum papo. A parteira? Claro que veio. E, para não perder a viagem, convidada para madrinha.

ALCIONE SORTICA
Porto Alegre/RS
in: Série "Beira de Açude"
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PROVÉRBIOS:

* A hora mais escura é a que precede o amanhecer. (irlandês)
* Não são as ervas daninhas que matam a boa semente, mas a negligência do camponês. (zen)
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o que as pessoas pensam
sempre acaba tendo um certo peso
quase nunca é certo
o que as pessoas pensam
mas a verdade transparece
quase sempre apenas no que parece
porque o lado inverso da verdade
é o mais fácil de ser visto
o mais prático, o mais previsto
e assim as pessoas são como vitrines
em que vemos nosso próprio reflexo
misturado aos objetos de desejo

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
Contato com a autora:
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS SALIÊNCIAS...

Criou-se em mim
uma onda de prazer e alegria.
As coisas criadas o seu olhar me trouxe,
era o amor chegando.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
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IDENTIDADE

Pássaros casas
pássaros asas
pássaros cantam
pássaros passam,
o que há de tão igual
em mim?

LARÍ FRANCESCHETTO
Veranópolis/RS
in: Espelho das Águas
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TEMPO & INFÂNCIA

Quanto à infância
foi muito normal:
somente o que estava
ao redor, envelhecia.

JOSE RONALDO VIEGA ALVES
Sant’Ana do Livramento/RS
in: Natureza Móbile
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FRASES:

"Se quer ser amado, ame."
SÊNECA
(Filósofo e Poeta romano)

"O Futuro não será mais o que era."
"Que seria de nós
sem o socorro das coisas que não existem?"
PAUL VALERY
(Poeta francês)


1º DE MAIO - DIA MUNDIAL DO TRABALHO

Criado em 1889 por um Congresso Socialista em París, o Dia Mundial do Trabalho teve a data escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Milhões de trabalhadores saíram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas que sofriam, querendo a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.
Houve naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos na cidade. Em represália, aconteceram prisões, pessoas feridas e até mesmo mortas nos confrontos entre os operários e a polícia.

(continua na próxima edição)
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VOCÁBULOS PRÉ-LATINOS

* Fenícios e Cartagineses: suco, mapa, barca.
* Gregos: bolsa, cara, cola, governar, filosofia,
academia, liceu, hora, relógio, alfabeto, teatro,
anjo, apóstolo, bíblia, crisma, diocese.

VOCÁBULOS LATINOS

* Populares: mácula, malha.
* Eruditos: solitário.
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DIA NASCENDO EM TEUS OLHOS

Dormes na tarde breve. Do céu, ave
de plumagem de treva, o vôo etéreo
pousa a noite na terra. E leve, suave,
choca os ovos gorados do mistério.

No leito em que tu dormes, um sidéreo
clarão, que vem de ti, abranda o grave
negror do quarto – este meu céu cinéreo...
E tu brilhas no céu como uma nave!

Ouço o rumor da treva que desliza,
solilóquio da sombra ardendo agora
por vir beber do anelo teu a brisa.

E eu bebo-a, em matinal, branca alegria,
e é noite ainda, sem luar, lá fora,
enquanto nos teus olhos já é dia.

ANDERSON BRAGA HORTA
Brasília/DF
in: 50 Poemas Escolhidos pelo Autor
Edições Galo Branco
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CURIOSIDADE:

Por que a laranja chama laranja e o limão não chama verde?
Laranja vem do árabe "narandja" e o limão vem do persa "laimum". São de origens diferentes.
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O BLUES

(...)
Existem elementos no blues que podem ser encontrados nos diferentes estilos das canções africanas – o timbre vocal, uma certa ambigüidade na harmonia e uma série do que se podiam chamar "modos" rítmicos – ainda que as influências são muito pouco perceptíveis e sutis. A forma mesma do blues, a estrofe com o modelo harmônico repetido, não tem relação com os estilos melódicos dos griots da África do Sul, nem mesmo hoje em dia.
(...)
Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
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ESPAÇO DO LEITOR

VISIONÁRIO

Morreram as rosas que plantei
E por elas enamorado
Toda a vida assim fiquei
Escravo de mim, um sonho tombado.

Viver é lutar com a realidade
É ver morrer o amor
É deitar com a saudade
Em um eterno leito de dor.

Outrora o amor me teve
Causando-me grande amargura
Que Deus de mim o amor leve
Deixando apenas ternura.

SERGIO SAGGARD
Bayeux/PB
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TROVA

Tristezas - todos sentimos
vendo a flor despetalar,
nos abraços que não vimos
das pétalas a murchar.

HENNY KROPF
Cantagalo/RJ
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BRINCANDO COM PALAVRAS

Parto e reparto
Em vários pedaços
De fato é fácil
A partir de agora
Vamos fazer um trato
Amor em pedaços.

HAZEL DE SÃO FRANCISCO
São Paulo/SP
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TROVA

Procure não se importar
com alguém a sua frente.
Carrossel pode rodar,
tornar tudo diferente.

APARECIDA MARIANO DE BARROS
Jundiaí/SP
in: Chuva sobre o Canavial

DICAS DE LEITURA:

MEU NOME ERA SUZANA - romance - Djanira Pio - Scortecci - 2009. Este volume completa a trilogia de A Cidade dos Sonhos e Um Canteiro de Margaridas, quando as protagonistas, meninas sonhadoras, tornam-se mulheres maduras em busca do sentido. Narrativa, suave, sutil e delicada, característica da autora.

FLORAIS - haicais e tercetos - Humberto Del Maestro - 2009. Neste livro, o autor já consagrado por sua poesia, apresenta delicados tercetos e haicais com temas referentes a árvores, flores, frutos e plantas agrestes. Quem ama a natureza vai se sentir num delicioso jardim.

ESPIRAL - poesia - Luiz Otávio Oliani - Editora da Palavra - 2009. Neste segundo livro solo, Luiz Otávio Oliani apresenta poemas densos, cuidadosamente precisos, enxutos e profundos. Poesia depurada, plena. Para quem aprecia força e vitalidade, a leitura de Espiral vai deixar a alma mais poética!

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Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa,
que poderão vir a ser publicados
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O fanzine impresso pode ser adquirido
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Walmor Dario Santos Colmenero
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domingo, 10 de maio de 2009

ESCRITOS Nº 31

O SENTIDO DO TRÂNSITO

Está escuro quando acordo,
o bairro todo ainda dorme.

Tomo os remédios tantos,
visto-me e procuro um canto

para ler esperando a luz
de uma manhã talvez azul.

Os primeiros carros sobem
a longa ladeira onde moro,

sobem rápidos, furiosos,
não perder nunca a hora.

No começo, são bem raros,
depois a avalanche de carros

subindo o morro residencial,
num sentido anti-horário.

Continuo lendo na poltrona
de onde ainda posso ver a rua.

Nesta hora, descem conversando
as empregadas – sonhos suburbanos

são claros e elas riem, inocentes.
Na minha rua não há ônibus,

todos com carro e com insônia.
A empregada chega, tem a chave

da porta da frente, abre as janelas
e o dia coletivo e ruidoso começa.

Eu continuo lendo, atento a tudo.
A família toma o café da manhã;

estamos agora comendo frutas,
emagrecem e ajudam a digestão.

Minha empregada come pão
e bebe café com muito açúcar.

Saíamos para caminhar, subindo
a ladeira que cansa as panturrilhas.

Os estudantes de uma escola pública
chegam com seus uniformes azuis.

Há beijos doídos em frente ao portão,
beijos talvez com gosto de pão.

Na volta, freando nossos passos,
descemos rumo ao fundo do vale

onde, imprevidente, plantei a casa.
Passo a manhã lendo e escrevendo

na biblioteca isolada no quintal.
O barulho de carro se faz longe,

ouço pássaros cantando e sonho
com um mundo sem telefones.

Na hora do almoço, cresce o som
de carros que agora descem soltos

a ladeira imensa em que moro.
E eu em meu mundo me esforço

para prestar atenção no romance,
no poema que estou compondo.

O barulho dos carros, pais chegando,
mães que se dirigiram ao mercado

em busca da mistura do almoço.
Sons de carro, pequeno alvoroço

no dia de silêncio e letras em trânsito.
Então bebo minha cerveja e como

o que me é servido talvez por engano.
Depois durmo até o meio da tarde.

A mulher levará a filha à escola
e ficará pelo centro da cidade.

Mas antes de dormir ouço os carros:
partem para o escritório, a fábrica,

enquanto vivo de juntar palavras,
indústria velha de produzir o nada.

O barulho dos carros ferozes
na longa ladeira que nos isola

do resto da cidade cheia de lojas,
o barulho continua em meu sonho.

Não tem fim, é rumor de obras,
rumor de águas que se chocam,

vencendo pedras no rio corrente.
É o barulho de minha demência.

Cansado, acordo quando já não há
carreatas de cidadãos dedicados

ao progresso, com o perdão do termo.
Eu acordo na tarde em que o tempo

volta a ser meu. As palavras fremem
iguais cigarras no verão breve.

Volto à faina obscura de poeta,
e leio algumas páginas de estética.

Não há carros na rua, não há vozes,
sou o dono desta parcela do dia,

que me leva à noite que se aproxima.
Quando voltam os carros, carregando

o cansaço do dia, estou no banho.
Faço a barba, sob o chuveiro quente,

depois de um ritual de higiene.
Já vestido, junto livros e delírios,

como um sanduíche de pão sírio,
vou à garagem de portas manuais

e saio em meu automóvel popular.
Ele escala o morro numa primeira,

lentamente, sem nenhum alarde.
A rua quieta na noite do bairro.

As tevês ligadas nos mesmos canais,
os homens tiraram gravatas indóceis,

as mulheres vestiram roupas folgadas,
vou em meu carro, cortando a noite,

para minhas aulas na universidade.
Encontro putas, travestis e bêbados.

Fazemos parte do mesmo contingente,
vivendo nossa vocação em segredo.

Ou melhor dizendo: no degredo.
Amanhã, amanhã acordarei cedo.

MIGUEL SANCHES NETO
Ponta Grossa/PR
_______________

dois copos de vidro
de boca para baixo
sobre a mesa da copa
três colheres de café
na borda da bandeja
sobre a mesa da copa
uma caneca de café
sobre um pires de xícara
sobre a mesa da copa
um pote de açúcar
e uma garrafa térmica
sobre a bandeja amarela
sobre a mesa da copa
o saco de pão amassado
ao lado da margarina
sobre a mesa da copa
os meus olhos repousados
na estamparia florida
brincam sobre a toalha
sobre a mesa da copa

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
___________________

DAS COLETIVIDADES...

O povo e o seu poder.
Ideologias e Simbolismos.
Tristezas e Humilhações.
Quadro social.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
________________

MENSAGENS:

* Conseqüências funestas surgirão para os que têm ira no coração.
* Quem se julga poderoso nada sabe sobre o dia de amanhã e menos ainda sobre o tempo.
_________________

O BLUES

(...)
Algumas das composições que se gravaram como blues eram baladas populares, canções para crianças ou ragtime country. Somente quando a indústria fonográfica do blues ficou mais sofisticada é que o material ficou mais sofisticada é que o material assumiu uniformidade. É importante recordar também que as gravações efetuadas no sul estavam supervisadas por um grupo de homens brancos, diretores artísticos, que trabalhavam para companhias de discos...
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
______________________

ESPAÇO DO LEITOR

CANÇÃO DISSONANTE PARA QUEM
NÃO QUER SABER DE POESIA

Escrevinho um labirinto mal traçado
Onde somente eu conheço ou invento a saída
O labirinto é meu
Posso dizer que tem milhares de saídas
Quem quiser saía pelo teto como pássaro
Ou galinha.

JEAN NARCISO BISPO MOURA
Itaquaquecetuba/SP
in: Excursão Incógnita
________________

Não devo
Desesperar-me
Enquanto
Eu estiver comigo
Não estarei sozinha.

DJANIRA PIO
São Paulo/SP
____________

MARCAS

O passado está presente
Não nas coisas que passaram,
Mas naquelas que realmente
As nossas vidas marcaram.

ZINEY SANTOS MOREIRA
Ribeirão Preto/SP
______________

OUTRO SONHADOR

Outro
sonhador idiota.
Outro
sonhador sem chão.
Outro
sonhador no precipício.

LUIZ BALTHAZAR
Barbacena/MG
in: Sombras
___________

LIVROS DE EUNICE MENDES:

* Cerimônia das Flores
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**************

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Contatos: Eunice e Walmor
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AVISO IMPORTANTE

Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa, que poderão vir a ser publicados se estiverem de acordo com o perfil da nossa linha editorial. Os textos aqui publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores. O fanzine impresso pode ser adquirido pelo custo simbólico de R$ 2,00 (dois reais) - Assinatura Anual: R$ 10,00 (dez reais). Maiores informações entre em contato com o editor: Walmor Dario Santos Colmenero - Endereço Postal: Pça Nossa Senhora das Graças, 76 apto. 11 CEP.: 11390-090 Vila Valença - São Vicente/SP - Endereço eletrônico:
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sábado, 7 de março de 2009

ESCRITOS Nº 30

RISCOS

Rir é correr o risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas devemos correr os riscos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.
Somente a pessoa que corre riscos é livre!

SÊNECA
Filósofo e Poeta romano. Lucius Annaeus Seneca nasceu em Córdoba, aproximadamente em 4 a.C. e faleceu em Roma em 65 d.C. Estudou filosofia e retórica. No ano de 62 retirou-se da corte para dedicar-se à meditação e seus estudos filosóficos. Envolvido em conspiração, suicidou-se. Algumas obras: Sobre a Ira, Sobre o Ócio, Sobre a Tranqüilidade da Alma, Sobre a Brevidade da Vida, Sobre a Clemência, Sobre os Benefícios, Problemas Naturais, Epístolas morais a Lucílio.
___________________

Desmentir mentiras
Recomeçar e pintar o túmulo
Deixar que os inimigos
esquentem o jantar
Adiar certos saltos
Participar da festa da tolice
- e tirar retratos
Testemunhar a fome
- que nunca é saciada...
É um bom começo
pra esfriar a frieza
Por-lo-à em gelo
E degustá-la, líquida,
em taça clara do pensamento

ALINE LEAL
Jequié/BA
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DEIXANDO

Pouso o cansaço
nos clarões do instante.
Exponho meus atos
na cilada das horas.
Invento imagens
na linha do tempo,
o símbolo da luta
no caminho já trilhado.
Descubro a visão da manhã
a solidão algemada na memória
e os gestos paralisados
no ventre do nada.

LUIZ FERNANDES DA SILVA
João Pessoa/PB
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o tempo passa devagar
adoraria ouvir
o telefone tocar.

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Flores e Frutos
Contato com a autora:
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS VIDAS...

Vi uma pessoa nascer no meio do entulho.
Era um homem.
Era um ser.
Poderia ser eu.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
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MEDO

O amor cresce
na direta proporção do medo.
O amor traz uma força
até então desconhecida.
E do desejo de preservá-la,
nasce o medo de perdê-la.
O medo de perder
passa a ser maior
do que o temor
de não ganhar.
O medo maior
não é o medo da morte,
é o medo de perder
toda a sede de viver.
O medo maior
não é o medo da partida,
é o do retorno, do retrocesso,
da volta ao que já se viveu.

O medo maior
é o medo do conhecido.

RENATA PACCOLA
São Paulo/SP
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O TEMPO

Espantados olhos
vasculhando a treva.
(A ignorância nossa
do mistério é ceva.)

Num lugar da noite
(ao lado ou cá dentro)
dormem o ontem, o hoje,
o amanhã e o sempre.

Onde a espada que
a armadura rompa,
onde a lança que

desmantele o escudo e
mostre as faces do
tempo simultâneas?

ANDERSON BRAGA HORTA
Brasília/DF
in: 50 Poemas escolhidos pelo autor
Edições Galo Branco
________________

ALMAS

Eram almas, sim, eram almas.
Roçavam em meu corpo como vento frio de inverno
e meus pelos se eriçavam
e uma lambada de fogo corria garganta abaixo.
Dançavam ao som de muitos lamentos
seus próprios lamentos
e as lágrimas subiam aos céus
parecendo neblina pronta a desandar em garoa
ou preces.
E todas as noites elas vinham
cada uma de um canto qualquer
uma pequena multidão quase transparente.
Chamavam por mim.
Eu fingia não ouvir
não sentir
não querer.
Mas, elas chamavam, chamavam por mim.
E no jardim, por entre as árvores, esperavam.
Perdiam-se em meio ao branco dos pequenos jasmins
e reapareciam sobre o gramado muito verde
parecendo brincar.
Nutriam-se do perfume das flores
tão brancas
irmãs da mesma cor.
Acostumei-me à dança
aos lamentos
à presença.
Não mais podia viver sem as almas.
E quando elas se foram, eu chamei, supliquei, implorei.
Entre garoas e preces, misturei-me aos jasmins
e esperei.
Por quantos dias, não sei.
Mas, compreendi.
Eram almas, sim, eram almas!
Pequenas almas muito brancas.
Almas de colibris.

VALÉRIA NOGUEIRA EIK
Maringá/PR
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QUE É FANZINE?

É um tipo de publicação relacionada às artes, cinema, música, quadrinhos, poesia, literatura, etc. Devido à informática e o custo barato de duplicação do original (xerox), tornou-se veículo de comunicação alternativa. Surgiu da contração das palavras inglesas fanatic (fã) e magazine (revista). Esse neologismo foi usado pela primeira vez em 1941 por Russ Chauvenet, para dar nome às publicações alternativas que surgiam nos Estados Unidos, com textos de ficção científica e curiosidades. Possuíam poucas tiragens, distribuídas pelo correio e circulavam de mão em mão.
________________

PROVÉRBIOS

* "Um bom café equivale a quarenta anos de amizade." (Turco)
* "O coração sente, a boca mente." (Latino)
* "Cada passarinho canta sua canção." (Latino)
__________________________________

O BLUES

(...)
Em contraste com o blues inspirado no holler, os primeiros blues que mostram a influência dos cantos do trabalho empregam frases mais curtas, com pontos mais específicos de ênfase rítmica. Uma forma de marcar estas ênfases era levar o ritmo com o violão. Já que estamos considerando as raízes do blues, é útil também recordar que as primeiras gravações do blues incluíam quase todo tipo de música, não somente no estilo holler e os cantos do trabalho.
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
_______________________

ESPAÇO DO LEITOR

NO SÍTIO

A gota d’água
resvalou entre folhas
e caiu no peitoril
do terraço.
Fragmento de geada.
Em tudo aparecem
grãozinhos brancos
derretendo.
O gramado parecendo
echarpe arabescada,
é pisado pelo cão
de coleira debruada.
Vento enregelado,
balança as árvores.
O joão-de-barro faz casa
no alto do mourão.
Um canário pinta
o espaço com suas cores.
O sol aqueceu.
Tudo palpita!

APARECIDA MARIANO DE BARROS
Jundiaí/SP
in: A serenata, o luar, e a saudade...
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eixos que se cruzam
pessoas que não se encontram

NICOLAS BEHR
Brasília/DF
in: Braxília Revisitada
__________________

TROVA

Essa mancha exígua e preta,
no seu colo, alvo e desnudo,
lembra frágil borboleta
toda feita de veludo.

HUMBERTO DEL MAESTRO
Vitória/ES
in: Trovas, Haicais e outros poemas
___________________________

HAICAI

Entre os galhos nus
Do pinheiro da calçada
O arco da lua.

HAZEL DE SÃO FRANCISCO
São Paulo/SP
____________

DICA DE LEITURA

JOSÉ ATHANÁZIO, MEU PAI - Biografia - Enéas Athanázio - Editora Minarete - 2009. Neste volume, o consagrado autor conta com simplicidade e carinho a história da vida de seu pai, falecido aos 37 anos de idade. Com belas fotos de familiares é uma preciosa homenagem.

ESPELHO DAS ÁGUAS - Poemas - Larí Franceschetto - Edições EST - Porto Alegre - 2008. Neste primeiro volume individual de poemas, o premiado Larí Franceschetto nos brinda com o lirismo de seus versos livres, plenos de uma poesia viva, cotidiana, pulsante.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

ESCRITOS Nº 29

AUTOBIOGRAFIA

"Nasci na encosta de um outeiro. E fiquei, dentro em pouco, um pinheiro delgado e elegante. Tão elegante que uma senhora, passando com seus filhos por perto de mim, desejou-me para árvore de Natal.
- Como ficará lindo carregadinho de presentes e de doces, com as velinhas de cores – exclamou uma das meninas que acompanhavam a senhora.
Estremeci até as raízes, pensando que logo me haviam de arrancar para, no grande e festivo dia das crianças, ir adornar o salão de uma escola ou de uma casa abastada.
Passaram-se, porém, muitos anos e ninguém veio buscar-me para a festa do Natal. Minhas raízes aprofundaram-se mais; meu tronco tornou-se alto e forte; estendi para o céu ramaria possante, que as tempestades não puderam derribar. Todos os anos as pinhas enfeitavam meus galhos; e, quando amadureciam, aves, animais e homens vinham à minha sombra colher os frutos, que se espalhavam pelo chão. Eu era a maior e a mais bela de todas as árvores daquela região.
Mas o dia funesto chegou. Um homem aproximou-se de mim, olhou-me com atenção de alto a baixo, e fez, a facão, um sinal no meu tronco. Vieram depois operários musculosos, de machado em punho; e logo estava eu deitado no solo, com os ramos partidos. Estava reduzido a um simples madeiro – eu, o rei dos vegetais de toda aquela redondeza...
Arrastaram-me, em seguida, para uma fábrica e reduziram-se a uma polpa branca. Nenhum dos meus camaradas me houvera reconhecido, quando transformado em alvo lençol, sofria a última demão, a fim de aparecer no mercado sob a forma de papel. Que torturas padeci: os golpes mortíferos do machado, o talho agudo das lâminas que me dilaceravam, o aperto horrível de engrenagens que me esmagavam, o atrito áspero de mós que me pulverizavam, o ardor das drogas que me fizeram pálido... Depois de tudo isso, colocaram-me em uma prensa, da qual saí enfardado para uma longa viagem.
Vendeu-se um negociante a um impressor. Fui para uma tipografia, onde novas angústias me esperavam. Puseram-se em um prelo, no qual, em giros vertiginosos, palavras e gravuras eram sobre mim estampadas. Dobraram-me depois. Cortaram-me. Coseram-me. Cobriram-me com duas capas de cartão. E eis-me aqui, agora, meu amigo, para ir contigo à escola.
Não me maltrates nem me desprezes. Muito sofri para trazer-te a sabedoria dos antigos, as lições de experiência, a expressão dos prosadores e poetas, que enriqueceram tua língua materna e fizeram meigo e suave teu idioma.
Ama-me e lê-me: eu sou o teu livro."

ERASMO BRAGA
_________________________

ERASMO DE CARVALHO BRAGA, nasceu em Rio Claro a 23 de abril de 1877 e faleceu em Niterói a 11 de maio de 1932. Foi um pastor presbiteriano, educador e intelectual brasileiro. Estudou na Escola Americana e foi ordenado pastor em 5 de setembro de 1898. Em 1899 funda a revista O Puritano como alternativa a O Estandarte, junto com Álvaro Reis. Em 1907 traduz a Confissão de Fé da Guanabara, escrita por Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André La Fon. Participou do Congresso de Ação Cristã no Panamá, em 1916, onde foram discutidas as estratégias missionárias e o ecumenismo para a América Latina. Foi o primeiro presidente do Conselho do Colégio Mackenzie (1923). De 1924 a 1926 presidiu a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil.
_________________

do meu lado
só Deus
fica acordado

lá fora
nem os sinos
tocam mais

nem os cães
ladram ao longe
nem o trotar
das charretes
atravessa a noite

tudo é silêncio
tudo é austero
não há sinais

parece que a vida
dorme sem sonhos

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
Contato: walmordario@ig.com.br

__________________________

DAS LUMINOSIDADES...

Vem uma luz
que me preenche,
que me conforta,
que me deixa pleno.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das
_______

DOLORES DURAN

Fazer terremoto e neblina
navegar sempre em vão
a palavra mais doce
a palavra mais vida
a fina palavra não.

MARCELO DOLABELA
Belo Horizonte/MG
in: Aeroplano nº 3
_______________

LIVROS DE EUNICE MENDES:

Cerimônia das Flores – Valor: R$ 15,00
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walmordario@ig.com.br
___________________________

FRASE:

"O homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos." - Pitágoras (Filósofo grego)
_________

NO CREPÚSCULO

No ocaso, traços de melancolia
cobrindo o horizonte de tristeza,
a exibição de mágoas e beleza
sendo encenadas ao final do dia.

O sol vencido, em suprema agonia,
cumpre a programação da natureza
que, esbanjando encantos e sutileza,
transforma o merencório em poesia.

O belo espetáculo envolve a gente
e toda a inspiração se faz presente,
enchendo de versos a minha trilha.

Nesse momento em que a alma se ufana,
mesmo só vendo pela ótica humana,
tento reproduzir tal maravilha!

FERNANDO VASCONCELOS
Ponta Grossa/PR
_______________

O AMIGO

O amigo é o irmão amparado na cruz;
O amigo é a bagagem de amor
E de sonho contra a canção do abismo;
O amigo é o tempo líquido na
Mão direita, o sol na pele da verdade;

O amigo é o espelho, os cães
Caçando, o coração do pássaro
Azul voando pela janela;
O amigo é a ponte sobre o
Desfiladeiro; a lâmpada acesa
Na casa escura;

O campo de trigo sob a chuva;
O quintal cheio de pássaros e frutos;
Uma rua sem nome,
Quando os caminhos foram desfeitos;

O amigo é você mesmo,
Seu sonho e sua história,
Sua vocação para a eternidade.

ELIAS ANTUNES
Brazlândia/DF
___________

MENSAGENS:

* Muitos acumulam fortunas materiais enquanto empobrecem espiritualmente.
* Muitos enchem os bolsos de dinheiro enquanto esvaziam seus corações.
* Feliz é quem, à noite, fazendo retrospecto do dia pode sentir-se feliz.
________________

A palavra poesia tem sua origem na palavra poiésis que em grego significa
"ação de fazer algo."
Poeta era aquele indivíduo que inventava,
produzia através de sua habilidade e esforço.
Não era alguém que tinha um dom natural.
*
LEMBRETE:

É bom lembrar que a sonoridade de um poema não está só nas rimas,
não precisa ter rima.
Há outras possibilidades:
a combinação dos sons internos das palavras,
a contagem das sílabas em cada verso,
silêncios ou intervalos que surgem entre as palavras,
entre os versos e as estrofes.
Poesia é ritmo.

______________

"Sofrer nunca foi uma dádiva."

LUIZ BALTHAZAR
Barbacena/MG
_____________

O BLUES

(...)

As melodias, muitas vezes, tinham uma progressão característica de alto a baixo, começando com uma nota próxima à mais alta da melodia e, depois, descendo em intervalos de três notas. A escala vocal era a que normalmente se conhece como pentatônica, uma escala de cinco notas que provavelmente reflete as escalas africanas, que também são normalmente pentatônicas, em vez de a escala diatônica de oito notas da música européia.

(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
_______________________

ESPAÇO DO LEITOR

"É bom viver esse amor constante,
composto de vida e de sonho
sentindo que nosso amor a cada instante,
se manifesta nos versos que componho."

EMERSON MACIEL
Laranjeiras/SE
______________

VONTADES

Vontade infinita de ser antídoto
no teu estado crítico
de fratura exposta.

Vontade de ser rio incontido
no teu atroz destino
de não fugir à morte.

Vontade, simplesmente, vontade
de policiar o barco
(casa, porto, sonho)
que afundou durante a tempestade.

Vontade inadiável
de resgatar o menino
que se afogou no azul da tarde.

Ah! Desejo louco
Roubar-te a alma e o corpo
para não sentir saudade.

LARÍ FRANCESCHETTO
Veranópolis/RS
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DICAS DE LEITURA

43º. FEMUP - Coletânea de poemas, contos e músicas - 2008. Coletânea do conceituado evento FEMUP - Festival de Música e Poesia de Paranavaí/PR. Desde 1966, o concurso reúne músicos, atores, poetas e escritores de várias partes do país. O famoso Troféu Barriguda premia os que se destacam, e não são poucos. Neste volume uma mostra dos talentos de 2008. O próximo será em novembro de 2009. Não perca!

O PÓ DA ESTRADA - Viagens - Enéas Athanázio - Editora Mirante - 2008. Neste livro onde Enéas conta episódios de sua vida, encontros e viagens, flui a linguagem clara e límpida do já conhecido escritor catarinense. Trabalhos de sua autoria aparecem com frequência em vários periódicos.

AVISO IMPORTANTE

Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa, que poderão vir a ser publicados se estiverem de acordo com o perfil da nossa linha editorial. Os textos aqui publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores.
O fanzine impresso pode ser adquirido pelo custo simbólico de R$ 2,00 (dois reais) - Assinatura Anual:R$ 10,00 (dez reais).
Maiores informações entre em contato com o editor:
Walmor Dario Santos Colmenero
- Endereço Postal: Pça Nossa Senhora das Graças, 76 apto. 11 CEP.: 11390-090 Vila Valença - São Vicente/SP
- Endereço eletrônico:
walmordario@ig.com.br
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domingo, 16 de novembro de 2008

ESCRITOS nº 28


SANTOS GUERREIROS

O mundo não está pra poesia. Nada pessoal. Somente negócio. Tem coisas que é bom nem dizer. É perigoso até. Então vamos fazer de conta que não vemos o que vemos, não sentimos o que sentimos, não somos o que somos. Mas aí aparece aquele vazio na alma, aquela angústia. Sensação de impotência, de causa perdida. A vida é uma causa perdida, dizia um amigo meu. Então a gente escreve pra uma meia dúzia ler, metade nem vai entender. Não adianta nada. Perdem-se as inocências pisadas e as misérias anônimas. É cada um por si na sua solidão. O mundo caiu. Se você que me lê, acha que não é bem assim, tudo bem. Cada um tem o direito de se iludir como pode. Caso contrário, faz uma coisa: prove! Mostre-me uma luz, uma esperança (que não seja tola). Uma iniciativa qualquer que me dê um crédito de que as coisas ainda podem mudar, o jogo vai virar e o dragão da maldade tombará definitivamente aos pés dos santos guerreiros (cadê eles?!)...

DACHA
Santos/SP
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DESILHADOS

Estamos longe de ser
santos ou deuses.
Somos uma ilha
cercada de seres humanos
por todos os lados.
Semelhantes centelhas.
Tolice é ignorar.

ROGÉRIO SALGADO e VIRGILENE ARAÚJO
Belo Horizonte/MG
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O BANHO

A água escorre em acrobacias
Colinas e vales
Molhando os pêlos
Coloridos da alegria

A espuma evolui tenuamente
Diluindo o seu perfume
Por recônditos e reentrâncias
Desfazendo-se em pés macios

Acolhe o corpo
A toalha felpuda
Absorvendo o molhado
Tirando do voyeur
Toda a visão

COSME CUSTÓDIO DA SILVA
Salvador/BA
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TROVAS

Outrora melros cantaram
para a praça despertar.
Hoje, seus cantos calaram
para o povo lamentar.
*
No céu, um rastro de luz,
na terra, um hino em louvor!
Nasceu o doce Jesus,
que nos revelou o Amor!

HENNY KROPF
Cantagalo/RJ
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MENSAGENS

* Pare um só instante e pense firmemente em Jesus e recobrarás tuas forças.
* O Pai te deu a vida: cabe a ti edificá-la através de teu coração e espírito.
* Junte às tuas preces as boas ações e tua jornada será mais bela.
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talvez um poema seja uma impressão
um pouso de pássaro
um nada na mão

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
Contato com a autora:
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS MARÉS...

Um barco contempla o horizonte.
Um peixe vê a vida por debaixo d’água.
Solidão. Quietude.
Um quadro pintado por Deus.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
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LIVROS DE EUNICE MENDES:

* Cerimônia das Flores – Valor: R$ 15,00
* Flores e Frutos – Valor: R$ 15,00
* Sino dos Ventos (Haikais) – Valor: R$ 5,00
* Lua na Janela (Haikais) – Valor: R$ 5,00
* Espaços do Vazio (Haikais) – Valor: R$ 5,00
* Nuvens de Sol – Valor: R$ 10,00
* Sonhares – Valor: R$ 15,00

LIVROS DE WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO:

* Poemas Bluseiros – Valor: R$ 5,00
* Um Poeta na Itália – Valor: R$ 5,00
* A Multiplicação do Nada – Valor: R$ 5,00
* Memórias – Valor: R$ 5,00

e-mail: walmordario@ig.com.br

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HUMOR

MULHERES! MULHERES!

Dois amigos desde as fraldas,
Crispiniano e Crispim,
viram-se após longa ausência
e palestravam assim:

- Como vão os teus amores?
Que é feito de Sinhá Doce?
- Aquela de olhos de gata?
- Sim. – Pois não sabes? Casou-se.

- Infiel! E o que me dizes
da Mariquinhas Bem-Bem?
- Oh! Traiu-me negramente.
- Então... – Casou-se também.

- Mas a Júlia... essa não creio...
- Pois casou-se, é o que te digo.
E foi a pior de todas
porque casou-se comigo.

LÚCIO DE MENDONÇA
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AS LAGOAS

Me encantava na lua cheia
Olhando a face do lago
E o ventinho pampeano
Pra ondas fazia afagos
Ondas que iam e vinham
No azul verde dos pagos

Águas claras azuladas
Que surgiram de repente
Belos lagos encantadores
Que lavam a alma da gente
Bacias de águas claras
Formadas no meio ambiente

Estes lagos de cor azul
Estas lagoas encantadas
São lágrimas que chorei
Na ausência da prenda amada
Quando as estrelas cadentes
Vigiavam as madrugadas

Nas barrancas que emolduravam
Muitos juncos e aguapés
João-grandes, garças e socós
Nadavam onde não dava pé
E nestas águas cristalinas
Eu vi imagem de Sepé

Que Deus conserve estes lagos
Que ficam à beira das estradas
E que à noite a lua cheia
Venha se olhar nas aguadas
Antes que o dia amanheça
Pra iluminar as estradas

Admiro estas lagoas
Da nossa pampa charrua
Onde a lua e as estrelas
Costumam se banhar nuas
Iluminando o Rio Grande
Nas madrugadas xirúas.

Notas:

Pampeano – relativo ao pampa, pertencente ao pampa.
Pago – lugar em que se nasceu, o rincão, a querência.

GALVÃO LENIR MACHADO MARTINS
Santa Maria/RS
in: Querência dos Quatro Ventos
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VIAGEM

Quando tomamos
O táxi da vida,
nada entendemos,
nada conhecemos
do roteiro.
Somos incompletos,
inseguros.
Ele corre,
mostrando
os fascículos
participativos.
Aferrados
à esperança,
encontramos
desvios e curvas,
nem sempre
com a prudência
exigida.
Incêndios
de entusiasmo
lavram o íntimo,
e terminamos,
pastoreando
os próprios
sonhos...

APARECIDA
MARIANO
DE BARROS
Jundiaí/SP
in: Semeando Margaridas
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FRASES

"O homem ama, porque o amor é a essência da sua alma.
Por isso não pode deixar de amar."
LEON TOLSTOI – Escritor russo

"Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga,
além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
FERNANDO PESSOA – Poeta português
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O BLUES

(...)

O Texas possuía uma população afro-americana menor que a do Mississipi e, posto que tinha um solo mais seco, havia mais trabalho isolado em fazendas pequenas. Os cantos de trabalhos recompilados no Texas normalmente procedem das fazendas penitenciárias das terras baixas, junto ao rio raso, numa faixa no sul do estado. O Mississipi, muito mais povoado, tinha grandes brigadas de trabalho nas plantações do delta e na fazenda penitenciária de Parchman.
(...)
Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)

ESPAÇO DO LEITOR

"O mundo é a Pátria de todos."

LUIZ BALTHAZAR
Barbacena/MG
AUTO

a Carlos César Carvalho


Nesta sociedade
apalermada:
sou
pelo que tenho
nunca pelo que posso;
sou
pelo que pareço
não pelo que vejo;
sou
o que fizeram de mim
não o que me fiz!

THELMO SILVA MATTOS
Bela Cruz/CE
in: Flor do Kacto

SOU

Imagem
Da mensagem
Que o tempo
Em meu corpo gravou,
Sou
Alegria e
Dor selvagem
De quem foi
De quem ficou.
Quem busca
Um mundo novo
Que existe
Só dentro de mim
Sou alma
Que Deus pôs no mundo
Sou o corpo
Que Deus pôs em mim.

SÉRGIO MARQUES VELLOSO
Santos/SP
in: velloso.arteblog.com.br

"Tatuei teu nome no meu pensamento, depois transformei-o em canção e as batidas do meu coração deram-lhe o ritmo perfeito."

DEISE DOMINGUES GIANNINI
São Vicente/SP


DICA DE LEITURA

UM DIA, UM TREM - Poemas - Fernando Fábio Fiorese Furtado - Nankin - 2008. Verdadeira viagem na poesia do menino que "admira ter na sua a mão do pai". Neste belo livro de poemas que contam e criam a história da infância nos cenários ferroviários. No prefácio, Nonato Gurgel diz que "as pessoas são templos da escritura, são poemas". Sim, e aqui, Fiorese escreve o livro que é o pai, que foi o filho, que foi o pai, que é o filho, nos trilhos do encontro eterno ou do retorno.

PULSO INSTANTÂNEO - Contos - Anderson Braga Horta - Thesaurus - 2008. Coletânea de contos do já consagrado escritor brasileiro Anderson Braga Horta. Belas ilustrações de Momchill Stoyanov permeiam os textos instigantes de narrativas femininas, histórias de mistério e metafísica. Literatura inteligente.

MONÓLOGOS ÍNTIMOS E ALGUNS SONETOS - Poemas - Humberto Del Maestro - 2008. Neste volume, o autor nos apresenta versos livres onde questiona, indaga, lamenta e expõe suas ideias em líricos monólogos íntimos. Nos sonetos, ainda mais intimistas, os temas são mais amorosos. Boa leitura!
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