sábado, 7 de março de 2009

ESCRITOS Nº 30

RISCOS

Rir é correr o risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas devemos correr os riscos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.
Somente a pessoa que corre riscos é livre!

SÊNECA
Filósofo e Poeta romano. Lucius Annaeus Seneca nasceu em Córdoba, aproximadamente em 4 a.C. e faleceu em Roma em 65 d.C. Estudou filosofia e retórica. No ano de 62 retirou-se da corte para dedicar-se à meditação e seus estudos filosóficos. Envolvido em conspiração, suicidou-se. Algumas obras: Sobre a Ira, Sobre o Ócio, Sobre a Tranqüilidade da Alma, Sobre a Brevidade da Vida, Sobre a Clemência, Sobre os Benefícios, Problemas Naturais, Epístolas morais a Lucílio.
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Desmentir mentiras
Recomeçar e pintar o túmulo
Deixar que os inimigos
esquentem o jantar
Adiar certos saltos
Participar da festa da tolice
- e tirar retratos
Testemunhar a fome
- que nunca é saciada...
É um bom começo
pra esfriar a frieza
Por-lo-à em gelo
E degustá-la, líquida,
em taça clara do pensamento

ALINE LEAL
Jequié/BA
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DEIXANDO

Pouso o cansaço
nos clarões do instante.
Exponho meus atos
na cilada das horas.
Invento imagens
na linha do tempo,
o símbolo da luta
no caminho já trilhado.
Descubro a visão da manhã
a solidão algemada na memória
e os gestos paralisados
no ventre do nada.

LUIZ FERNANDES DA SILVA
João Pessoa/PB
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o tempo passa devagar
adoraria ouvir
o telefone tocar.

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Flores e Frutos
Contato com a autora:
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS VIDAS...

Vi uma pessoa nascer no meio do entulho.
Era um homem.
Era um ser.
Poderia ser eu.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
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LIVROS DE EUNICE MENDES:

* Cerimônia das Flores
* Flores e Frutos
* Sonhares
Valor: R$ 15,00 (cada)

* Sino dos Ventos (Haikais)
* Lua na Janela (Haikais)
* Espaços do Vazio (Haikais)
Valor: R$ 5,00 (cada)

* Nuvens de Sol
Valor: R$ 10,00

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LIVROS DE WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO

* Poemas Bluseiros
* Um Poeta na Itália
* A Multiplicação do Nada
* Memórias
Valor: R$ 5,00 (cada)

Contatos: Eunice e Walmor
e-mail: walmordario@ig.com.br

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MEDO

O amor cresce
na direta proporção do medo.
O amor traz uma força
até então desconhecida.
E do desejo de preservá-la,
nasce o medo de perdê-la.
O medo de perder
passa a ser maior
do que o temor
de não ganhar.
O medo maior
não é o medo da morte,
é o medo de perder
toda a sede de viver.
O medo maior
não é o medo da partida,
é o do retorno, do retrocesso,
da volta ao que já se viveu.

O medo maior
é o medo do conhecido.

RENATA PACCOLA
São Paulo/SP
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O TEMPO

Espantados olhos
vasculhando a treva.
(A ignorância nossa
do mistério é ceva.)

Num lugar da noite
(ao lado ou cá dentro)
dormem o ontem, o hoje,
o amanhã e o sempre.

Onde a espada que
a armadura rompa,
onde a lança que

desmantele o escudo e
mostre as faces do
tempo simultâneas?

ANDERSON BRAGA HORTA
Brasília/DF
in: 50 Poemas escolhidos pelo autor
Edições Galo Branco
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ALMAS

Eram almas, sim, eram almas.
Roçavam em meu corpo como vento frio de inverno
e meus pelos se eriçavam
e uma lambada de fogo corria garganta abaixo.
Dançavam ao som de muitos lamentos
seus próprios lamentos
e as lágrimas subiam aos céus
parecendo neblina pronta a desandar em garoa
ou preces.
E todas as noites elas vinham
cada uma de um canto qualquer
uma pequena multidão quase transparente.
Chamavam por mim.
Eu fingia não ouvir
não sentir
não querer.
Mas, elas chamavam, chamavam por mim.
E no jardim, por entre as árvores, esperavam.
Perdiam-se em meio ao branco dos pequenos jasmins
e reapareciam sobre o gramado muito verde
parecendo brincar.
Nutriam-se do perfume das flores
tão brancas
irmãs da mesma cor.
Acostumei-me à dança
aos lamentos
à presença.
Não mais podia viver sem as almas.
E quando elas se foram, eu chamei, supliquei, implorei.
Entre garoas e preces, misturei-me aos jasmins
e esperei.
Por quantos dias, não sei.
Mas, compreendi.
Eram almas, sim, eram almas!
Pequenas almas muito brancas.
Almas de colibris.

VALÉRIA NOGUEIRA EIK
Maringá/PR
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QUE É FANZINE?

É um tipo de publicação relacionada às artes, cinema, música, quadrinhos, poesia, literatura, etc. Devido à informática e o custo barato de duplicação do original (xerox), tornou-se veículo de comunicação alternativa. Surgiu da contração das palavras inglesas fanatic (fã) e magazine (revista). Esse neologismo foi usado pela primeira vez em 1941 por Russ Chauvenet, para dar nome às publicações alternativas que surgiam nos Estados Unidos, com textos de ficção científica e curiosidades. Possuíam poucas tiragens, distribuídas pelo correio e circulavam de mão em mão.
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PROVÉRBIOS

* "Um bom café equivale a quarenta anos de amizade." (Turco)
* "O coração sente, a boca mente." (Latino)
* "Cada passarinho canta sua canção." (Latino)
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O BLUES

(...)
Em contraste com o blues inspirado no holler, os primeiros blues que mostram a influência dos cantos do trabalho empregam frases mais curtas, com pontos mais específicos de ênfase rítmica. Uma forma de marcar estas ênfases era levar o ritmo com o violão. Já que estamos considerando as raízes do blues, é útil também recordar que as primeiras gravações do blues incluíam quase todo tipo de música, não somente no estilo holler e os cantos do trabalho.
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
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ESPAÇO DO LEITOR

NO SÍTIO

A gota d’água
resvalou entre folhas
e caiu no peitoril
do terraço.
Fragmento de geada.
Em tudo aparecem
grãozinhos brancos
derretendo.
O gramado parecendo
echarpe arabescada,
é pisado pelo cão
de coleira debruada.
Vento enregelado,
balança as árvores.
O joão-de-barro faz casa
no alto do mourão.
Um canário pinta
o espaço com suas cores.
O sol aqueceu.
Tudo palpita!

APARECIDA MARIANO DE BARROS
Jundiaí/SP
in: A serenata, o luar, e a saudade...
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eixos que se cruzam
pessoas que não se encontram

NICOLAS BEHR
Brasília/DF
in: Braxília Revisitada
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TROVA

Essa mancha exígua e preta,
no seu colo, alvo e desnudo,
lembra frágil borboleta
toda feita de veludo.

HUMBERTO DEL MAESTRO
Vitória/ES
in: Trovas, Haicais e outros poemas
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HAICAI

Entre os galhos nus
Do pinheiro da calçada
O arco da lua.

HAZEL DE SÃO FRANCISCO
São Paulo/SP
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DICA DE LEITURA

JOSÉ ATHANÁZIO, MEU PAI - Biografia - Enéas Athanázio - Editora Minarete - 2009. Neste volume, o consagrado autor conta com simplicidade e carinho a história da vida de seu pai, falecido aos 37 anos de idade. Com belas fotos de familiares é uma preciosa homenagem.

ESPELHO DAS ÁGUAS - Poemas - Larí Franceschetto - Edições EST - Porto Alegre - 2008. Neste primeiro volume individual de poemas, o premiado Larí Franceschetto nos brinda com o lirismo de seus versos livres, plenos de uma poesia viva, cotidiana, pulsante.
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AVISO IMPORTANTE

Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa, que poderão vir a ser publicados se estiverem de acordo com o perfil da nossa linha editorial. Os textos aqui publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores. O fanzine impresso pode ser adquirido pelo custo simbólico de R$ 2,00 (dois reais) - Assinatura Anual: R$ 10,00 (dez reais). Maiores informações entre em contato com o editor: Walmor Dario Santos Colmenero - Endereço Postal: Pça Nossa Senhora das Graças, 76 apto. 11 CEP.: 11390-090 Vila Valença - São Vicente/SP - Endereço eletrônico:
walmordario@ig.com.br

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

ESCRITOS Nº 29

AUTOBIOGRAFIA

"Nasci na encosta de um outeiro. E fiquei, dentro em pouco, um pinheiro delgado e elegante. Tão elegante que uma senhora, passando com seus filhos por perto de mim, desejou-me para árvore de Natal.
- Como ficará lindo carregadinho de presentes e de doces, com as velinhas de cores – exclamou uma das meninas que acompanhavam a senhora.
Estremeci até as raízes, pensando que logo me haviam de arrancar para, no grande e festivo dia das crianças, ir adornar o salão de uma escola ou de uma casa abastada.
Passaram-se, porém, muitos anos e ninguém veio buscar-me para a festa do Natal. Minhas raízes aprofundaram-se mais; meu tronco tornou-se alto e forte; estendi para o céu ramaria possante, que as tempestades não puderam derribar. Todos os anos as pinhas enfeitavam meus galhos; e, quando amadureciam, aves, animais e homens vinham à minha sombra colher os frutos, que se espalhavam pelo chão. Eu era a maior e a mais bela de todas as árvores daquela região.
Mas o dia funesto chegou. Um homem aproximou-se de mim, olhou-me com atenção de alto a baixo, e fez, a facão, um sinal no meu tronco. Vieram depois operários musculosos, de machado em punho; e logo estava eu deitado no solo, com os ramos partidos. Estava reduzido a um simples madeiro – eu, o rei dos vegetais de toda aquela redondeza...
Arrastaram-me, em seguida, para uma fábrica e reduziram-se a uma polpa branca. Nenhum dos meus camaradas me houvera reconhecido, quando transformado em alvo lençol, sofria a última demão, a fim de aparecer no mercado sob a forma de papel. Que torturas padeci: os golpes mortíferos do machado, o talho agudo das lâminas que me dilaceravam, o aperto horrível de engrenagens que me esmagavam, o atrito áspero de mós que me pulverizavam, o ardor das drogas que me fizeram pálido... Depois de tudo isso, colocaram-me em uma prensa, da qual saí enfardado para uma longa viagem.
Vendeu-se um negociante a um impressor. Fui para uma tipografia, onde novas angústias me esperavam. Puseram-se em um prelo, no qual, em giros vertiginosos, palavras e gravuras eram sobre mim estampadas. Dobraram-me depois. Cortaram-me. Coseram-me. Cobriram-me com duas capas de cartão. E eis-me aqui, agora, meu amigo, para ir contigo à escola.
Não me maltrates nem me desprezes. Muito sofri para trazer-te a sabedoria dos antigos, as lições de experiência, a expressão dos prosadores e poetas, que enriqueceram tua língua materna e fizeram meigo e suave teu idioma.
Ama-me e lê-me: eu sou o teu livro."

ERASMO BRAGA
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ERASMO DE CARVALHO BRAGA, nasceu em Rio Claro a 23 de abril de 1877 e faleceu em Niterói a 11 de maio de 1932. Foi um pastor presbiteriano, educador e intelectual brasileiro. Estudou na Escola Americana e foi ordenado pastor em 5 de setembro de 1898. Em 1899 funda a revista O Puritano como alternativa a O Estandarte, junto com Álvaro Reis. Em 1907 traduz a Confissão de Fé da Guanabara, escrita por Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André La Fon. Participou do Congresso de Ação Cristã no Panamá, em 1916, onde foram discutidas as estratégias missionárias e o ecumenismo para a América Latina. Foi o primeiro presidente do Conselho do Colégio Mackenzie (1923). De 1924 a 1926 presidiu a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil.
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do meu lado
só Deus
fica acordado

lá fora
nem os sinos
tocam mais

nem os cães
ladram ao longe
nem o trotar
das charretes
atravessa a noite

tudo é silêncio
tudo é austero
não há sinais

parece que a vida
dorme sem sonhos

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
Contato: walmordario@ig.com.br

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DAS LUMINOSIDADES...

Vem uma luz
que me preenche,
que me conforta,
que me deixa pleno.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das
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DOLORES DURAN

Fazer terremoto e neblina
navegar sempre em vão
a palavra mais doce
a palavra mais vida
a fina palavra não.

MARCELO DOLABELA
Belo Horizonte/MG
in: Aeroplano nº 3
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LIVROS DE EUNICE MENDES:

Cerimônia das Flores – Valor: R$ 15,00
Flores e Frutos – Valor: R$ 15,00
Sino dos Ventos (Haikais) – Valor: R$ 5,00
Lua na Janela (Haikais) – Valor: R$ 5,00
Espaços do Vazio (Haikais) – Valor: R$ 5,00
Nuvens de Sol – Valor: R$ 10,00
Sonhares – Valor: R$ 15,00

LIVROS DE WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO

Poemas Bluseiros – Valor: R$ 5,00
Um Poeta na Itália – Valor: R$ 5,00
A Multiplicação do Nada – Valor: R$ 5,00
Memórias – Valor: R$ 5,00

Contatos:
walmordario@ig.com.br
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FRASE:

"O homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos." - Pitágoras (Filósofo grego)
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NO CREPÚSCULO

No ocaso, traços de melancolia
cobrindo o horizonte de tristeza,
a exibição de mágoas e beleza
sendo encenadas ao final do dia.

O sol vencido, em suprema agonia,
cumpre a programação da natureza
que, esbanjando encantos e sutileza,
transforma o merencório em poesia.

O belo espetáculo envolve a gente
e toda a inspiração se faz presente,
enchendo de versos a minha trilha.

Nesse momento em que a alma se ufana,
mesmo só vendo pela ótica humana,
tento reproduzir tal maravilha!

FERNANDO VASCONCELOS
Ponta Grossa/PR
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O AMIGO

O amigo é o irmão amparado na cruz;
O amigo é a bagagem de amor
E de sonho contra a canção do abismo;
O amigo é o tempo líquido na
Mão direita, o sol na pele da verdade;

O amigo é o espelho, os cães
Caçando, o coração do pássaro
Azul voando pela janela;
O amigo é a ponte sobre o
Desfiladeiro; a lâmpada acesa
Na casa escura;

O campo de trigo sob a chuva;
O quintal cheio de pássaros e frutos;
Uma rua sem nome,
Quando os caminhos foram desfeitos;

O amigo é você mesmo,
Seu sonho e sua história,
Sua vocação para a eternidade.

ELIAS ANTUNES
Brazlândia/DF
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MENSAGENS:

* Muitos acumulam fortunas materiais enquanto empobrecem espiritualmente.
* Muitos enchem os bolsos de dinheiro enquanto esvaziam seus corações.
* Feliz é quem, à noite, fazendo retrospecto do dia pode sentir-se feliz.
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A palavra poesia tem sua origem na palavra poiésis que em grego significa
"ação de fazer algo."
Poeta era aquele indivíduo que inventava,
produzia através de sua habilidade e esforço.
Não era alguém que tinha um dom natural.
*
LEMBRETE:

É bom lembrar que a sonoridade de um poema não está só nas rimas,
não precisa ter rima.
Há outras possibilidades:
a combinação dos sons internos das palavras,
a contagem das sílabas em cada verso,
silêncios ou intervalos que surgem entre as palavras,
entre os versos e as estrofes.
Poesia é ritmo.

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"Sofrer nunca foi uma dádiva."

LUIZ BALTHAZAR
Barbacena/MG
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O BLUES

(...)

As melodias, muitas vezes, tinham uma progressão característica de alto a baixo, começando com uma nota próxima à mais alta da melodia e, depois, descendo em intervalos de três notas. A escala vocal era a que normalmente se conhece como pentatônica, uma escala de cinco notas que provavelmente reflete as escalas africanas, que também são normalmente pentatônicas, em vez de a escala diatônica de oito notas da música européia.

(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
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ESPAÇO DO LEITOR

"É bom viver esse amor constante,
composto de vida e de sonho
sentindo que nosso amor a cada instante,
se manifesta nos versos que componho."

EMERSON MACIEL
Laranjeiras/SE
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VONTADES

Vontade infinita de ser antídoto
no teu estado crítico
de fratura exposta.

Vontade de ser rio incontido
no teu atroz destino
de não fugir à morte.

Vontade, simplesmente, vontade
de policiar o barco
(casa, porto, sonho)
que afundou durante a tempestade.

Vontade inadiável
de resgatar o menino
que se afogou no azul da tarde.

Ah! Desejo louco
Roubar-te a alma e o corpo
para não sentir saudade.

LARÍ FRANCESCHETTO
Veranópolis/RS
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DICAS DE LEITURA

43º. FEMUP - Coletânea de poemas, contos e músicas - 2008. Coletânea do conceituado evento FEMUP - Festival de Música e Poesia de Paranavaí/PR. Desde 1966, o concurso reúne músicos, atores, poetas e escritores de várias partes do país. O famoso Troféu Barriguda premia os que se destacam, e não são poucos. Neste volume uma mostra dos talentos de 2008. O próximo será em novembro de 2009. Não perca!

O PÓ DA ESTRADA - Viagens - Enéas Athanázio - Editora Mirante - 2008. Neste livro onde Enéas conta episódios de sua vida, encontros e viagens, flui a linguagem clara e límpida do já conhecido escritor catarinense. Trabalhos de sua autoria aparecem com frequência em vários periódicos.

AVISO IMPORTANTE

Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa, que poderão vir a ser publicados se estiverem de acordo com o perfil da nossa linha editorial. Os textos aqui publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores.
O fanzine impresso pode ser adquirido pelo custo simbólico de R$ 2,00 (dois reais) - Assinatura Anual:R$ 10,00 (dez reais).
Maiores informações entre em contato com o editor:
Walmor Dario Santos Colmenero
- Endereço Postal: Pça Nossa Senhora das Graças, 76 apto. 11 CEP.: 11390-090 Vila Valença - São Vicente/SP
- Endereço eletrônico:
walmordario@ig.com.br
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domingo, 16 de novembro de 2008

ESCRITOS nº 28


SANTOS GUERREIROS

O mundo não está pra poesia. Nada pessoal. Somente negócio. Tem coisas que é bom nem dizer. É perigoso até. Então vamos fazer de conta que não vemos o que vemos, não sentimos o que sentimos, não somos o que somos. Mas aí aparece aquele vazio na alma, aquela angústia. Sensação de impotência, de causa perdida. A vida é uma causa perdida, dizia um amigo meu. Então a gente escreve pra uma meia dúzia ler, metade nem vai entender. Não adianta nada. Perdem-se as inocências pisadas e as misérias anônimas. É cada um por si na sua solidão. O mundo caiu. Se você que me lê, acha que não é bem assim, tudo bem. Cada um tem o direito de se iludir como pode. Caso contrário, faz uma coisa: prove! Mostre-me uma luz, uma esperança (que não seja tola). Uma iniciativa qualquer que me dê um crédito de que as coisas ainda podem mudar, o jogo vai virar e o dragão da maldade tombará definitivamente aos pés dos santos guerreiros (cadê eles?!)...

DACHA
Santos/SP
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DESILHADOS

Estamos longe de ser
santos ou deuses.
Somos uma ilha
cercada de seres humanos
por todos os lados.
Semelhantes centelhas.
Tolice é ignorar.

ROGÉRIO SALGADO e VIRGILENE ARAÚJO
Belo Horizonte/MG
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O BANHO

A água escorre em acrobacias
Colinas e vales
Molhando os pêlos
Coloridos da alegria

A espuma evolui tenuamente
Diluindo o seu perfume
Por recônditos e reentrâncias
Desfazendo-se em pés macios

Acolhe o corpo
A toalha felpuda
Absorvendo o molhado
Tirando do voyeur
Toda a visão

COSME CUSTÓDIO DA SILVA
Salvador/BA
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TROVAS

Outrora melros cantaram
para a praça despertar.
Hoje, seus cantos calaram
para o povo lamentar.
*
No céu, um rastro de luz,
na terra, um hino em louvor!
Nasceu o doce Jesus,
que nos revelou o Amor!

HENNY KROPF
Cantagalo/RJ
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MENSAGENS

* Pare um só instante e pense firmemente em Jesus e recobrarás tuas forças.
* O Pai te deu a vida: cabe a ti edificá-la através de teu coração e espírito.
* Junte às tuas preces as boas ações e tua jornada será mais bela.
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talvez um poema seja uma impressão
um pouso de pássaro
um nada na mão

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
Contato com a autora:
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS MARÉS...

Um barco contempla o horizonte.
Um peixe vê a vida por debaixo d’água.
Solidão. Quietude.
Um quadro pintado por Deus.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
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LIVROS DE EUNICE MENDES:

* Cerimônia das Flores – Valor: R$ 15,00
* Flores e Frutos – Valor: R$ 15,00
* Sino dos Ventos (Haikais) – Valor: R$ 5,00
* Lua na Janela (Haikais) – Valor: R$ 5,00
* Espaços do Vazio (Haikais) – Valor: R$ 5,00
* Nuvens de Sol – Valor: R$ 10,00
* Sonhares – Valor: R$ 15,00

LIVROS DE WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO:

* Poemas Bluseiros – Valor: R$ 5,00
* Um Poeta na Itália – Valor: R$ 5,00
* A Multiplicação do Nada – Valor: R$ 5,00
* Memórias – Valor: R$ 5,00

e-mail: walmordario@ig.com.br

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HUMOR

MULHERES! MULHERES!

Dois amigos desde as fraldas,
Crispiniano e Crispim,
viram-se após longa ausência
e palestravam assim:

- Como vão os teus amores?
Que é feito de Sinhá Doce?
- Aquela de olhos de gata?
- Sim. – Pois não sabes? Casou-se.

- Infiel! E o que me dizes
da Mariquinhas Bem-Bem?
- Oh! Traiu-me negramente.
- Então... – Casou-se também.

- Mas a Júlia... essa não creio...
- Pois casou-se, é o que te digo.
E foi a pior de todas
porque casou-se comigo.

LÚCIO DE MENDONÇA
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AS LAGOAS

Me encantava na lua cheia
Olhando a face do lago
E o ventinho pampeano
Pra ondas fazia afagos
Ondas que iam e vinham
No azul verde dos pagos

Águas claras azuladas
Que surgiram de repente
Belos lagos encantadores
Que lavam a alma da gente
Bacias de águas claras
Formadas no meio ambiente

Estes lagos de cor azul
Estas lagoas encantadas
São lágrimas que chorei
Na ausência da prenda amada
Quando as estrelas cadentes
Vigiavam as madrugadas

Nas barrancas que emolduravam
Muitos juncos e aguapés
João-grandes, garças e socós
Nadavam onde não dava pé
E nestas águas cristalinas
Eu vi imagem de Sepé

Que Deus conserve estes lagos
Que ficam à beira das estradas
E que à noite a lua cheia
Venha se olhar nas aguadas
Antes que o dia amanheça
Pra iluminar as estradas

Admiro estas lagoas
Da nossa pampa charrua
Onde a lua e as estrelas
Costumam se banhar nuas
Iluminando o Rio Grande
Nas madrugadas xirúas.

Notas:

Pampeano – relativo ao pampa, pertencente ao pampa.
Pago – lugar em que se nasceu, o rincão, a querência.

GALVÃO LENIR MACHADO MARTINS
Santa Maria/RS
in: Querência dos Quatro Ventos
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VIAGEM

Quando tomamos
O táxi da vida,
nada entendemos,
nada conhecemos
do roteiro.
Somos incompletos,
inseguros.
Ele corre,
mostrando
os fascículos
participativos.
Aferrados
à esperança,
encontramos
desvios e curvas,
nem sempre
com a prudência
exigida.
Incêndios
de entusiasmo
lavram o íntimo,
e terminamos,
pastoreando
os próprios
sonhos...

APARECIDA
MARIANO
DE BARROS
Jundiaí/SP
in: Semeando Margaridas
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FRASES

"O homem ama, porque o amor é a essência da sua alma.
Por isso não pode deixar de amar."
LEON TOLSTOI – Escritor russo

"Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga,
além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
FERNANDO PESSOA – Poeta português
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O BLUES

(...)

O Texas possuía uma população afro-americana menor que a do Mississipi e, posto que tinha um solo mais seco, havia mais trabalho isolado em fazendas pequenas. Os cantos de trabalhos recompilados no Texas normalmente procedem das fazendas penitenciárias das terras baixas, junto ao rio raso, numa faixa no sul do estado. O Mississipi, muito mais povoado, tinha grandes brigadas de trabalho nas plantações do delta e na fazenda penitenciária de Parchman.
(...)
Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)

ESPAÇO DO LEITOR

"O mundo é a Pátria de todos."

LUIZ BALTHAZAR
Barbacena/MG
AUTO

a Carlos César Carvalho


Nesta sociedade
apalermada:
sou
pelo que tenho
nunca pelo que posso;
sou
pelo que pareço
não pelo que vejo;
sou
o que fizeram de mim
não o que me fiz!

THELMO SILVA MATTOS
Bela Cruz/CE
in: Flor do Kacto

SOU

Imagem
Da mensagem
Que o tempo
Em meu corpo gravou,
Sou
Alegria e
Dor selvagem
De quem foi
De quem ficou.
Quem busca
Um mundo novo
Que existe
Só dentro de mim
Sou alma
Que Deus pôs no mundo
Sou o corpo
Que Deus pôs em mim.

SÉRGIO MARQUES VELLOSO
Santos/SP
in: velloso.arteblog.com.br

"Tatuei teu nome no meu pensamento, depois transformei-o em canção e as batidas do meu coração deram-lhe o ritmo perfeito."

DEISE DOMINGUES GIANNINI
São Vicente/SP


DICA DE LEITURA

UM DIA, UM TREM - Poemas - Fernando Fábio Fiorese Furtado - Nankin - 2008. Verdadeira viagem na poesia do menino que "admira ter na sua a mão do pai". Neste belo livro de poemas que contam e criam a história da infância nos cenários ferroviários. No prefácio, Nonato Gurgel diz que "as pessoas são templos da escritura, são poemas". Sim, e aqui, Fiorese escreve o livro que é o pai, que foi o filho, que foi o pai, que é o filho, nos trilhos do encontro eterno ou do retorno.

PULSO INSTANTÂNEO - Contos - Anderson Braga Horta - Thesaurus - 2008. Coletânea de contos do já consagrado escritor brasileiro Anderson Braga Horta. Belas ilustrações de Momchill Stoyanov permeiam os textos instigantes de narrativas femininas, histórias de mistério e metafísica. Literatura inteligente.

MONÓLOGOS ÍNTIMOS E ALGUNS SONETOS - Poemas - Humberto Del Maestro - 2008. Neste volume, o autor nos apresenta versos livres onde questiona, indaga, lamenta e expõe suas ideias em líricos monólogos íntimos. Nos sonetos, ainda mais intimistas, os temas são mais amorosos. Boa leitura!
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AVISO IMPORTANTE

Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa, que poderão vir a ser publicados se estiverem de acordo com o perfil da nossa linha editorial. Os textos aqui publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores.
O fanzine impresso pode ser adquirido pelo custo simbólico de R$ 2,00 (dois reais) - Assinatura Anual:R$ 10,00 (dez reais).
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Walmor Dario Santos Colmenero
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ESCRITOS Nº 27

UM PORRE EM GUAXININGUABA

Casado há três anos, eu era pai de uma filha. Comprei um terreno e construí pequenina casa. Estava nascendo o bairro de Guaxininguaba, mais tarde, Quintino Cunha. Tinha eu vinte e quatro anos. Naquela época, o lugar era constituído de casebres que nem o meu. Atualmente, quarenta anos depois, é quase todo povoado pela classe média.
Ali morei cerca de dois anos. Cerquei o quintal e plantei verduras. Isso, incentivado pelo meu bom vizinho que era verdureiro.
Nos finais de semana, levávamos a nossa produção para o mercado, no único ônibus que circulava...
Não havia luz elétrica nem água encanada. Mas gostávamos. Tranqüilidade absoluta. Toda a vizinhança se entendia.
Seu André, proprietário da maior mercearia do bairro, era sargento aposentado da Polícia Militar. Seu freguês e amigo, eu ia sempre às noites, quando havia futebol, assistir a transmissão em seu possante rádio.
André dava valor tomar umas e outras. Pelejava para me ver bêbado. Eu porém, nada queria com o álcool.
Certa noite o Brasil ia jogar com a Tchecoslováquia. E para me ver bêbado, atiçou-me:
- Vamos apostar? Cada gol que o Brasil marcar, tomamos, topa?
Aceitei. Arrependi-me. O Brasil fez cinco gols e terminei completamente bêbado. No dia seguinte amanheci em casa com uma dor de cabeça de lascar. Sem lembrar-me do que acontecera após embebedar-me, ele me disse:
- Você ficou valente! Queria quebrar tudo! Foi preciso três homens para dominá-lo. Só não lhe prendi porque fui culpado e você é muito meu amigo!

JOÃO BATISTA SERRA
Caucaia/CE
in: O Patusco nº 79
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PASSAGEM

Debruçou sobre seu egoísmo
e seguiu em frente...

Duvidou do amor,
palavras vãs
atitudes falsas...

Carinho fugaz e idéias
sem convicção...
Sua entrega é uma incerteza
e seu amor não se completa...

THEREZA R. FIGUEIREDO
Santos/SP
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MENSAGENS:

* Com amor e caridade alcançarás patamares mais altos na espiritualidade.
* Não deixes para depois o bem que podes e deves fazer agora.
* Os bens materiais devem ser aproveitados mas com o pensamento em Deus
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floradas nas jarras
espalhadas pela casa
trazem em seus perfumes

saudades de outros jardins

***

vestígios verdes de ervas
traçam caminhos nas pedras
como linhas

em minhas mãos

***

estreita paisagem azul
atravessa o vão da janela
sutil passagem de outras luzes

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Nuvens de Sol
Contato com a autora:
walmordario@ig.com.br
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CONTRAPONTO

O verso que escrevo
tem o teu rosto.
Puro. Bom.

O meu retrato
tem o teu sorriso.
Novo. De sempre.

O meu beijo
tem a tua boca.
Linda. Sensual.

O meu sonho
tem a tua realidade.
Viva. Indomável.

O meu poema
tem um nome:
O teu.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Memórias
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LIVROS DE EUNICE MENDES:

* Cerimônia das Flores
* Flores e Frutos
* Sonhares
Valor: R$ 15,00 (cada)

*

* Nuvens de Sol
Valor: R$ 10,00

*

* Sino dos Ventos (Haikais)
* Lua na Janela (Haikais)
* Espaços do Vazio (Haikais)
Valor: R$ 5,00 (cada)
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ALGUNS LIVROS DE WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO

* Tributo Vivo
* Um Poeta na Itália
* A Multiplicação do Nada
* Memórias
Valor: R$ 5,00 (cada)


CONTATO: walmordario@ig.com.br
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"Nas noites de insônia tenho consciência de uma missão que se ergue à minha frente como uma montanha distante. Quando compus Papillons (Borboletas), comecei a sentir uma certa independência. Agora, as borboletas voaram rumo ao vasto e grandioso universo da primavera. A própria primavera surge à minha porta e me contempla, e é um menino de celestiais olhos azuis. (...) A experiência estética é a mesma em todas as artes. A única diferença está no material."

ROBERT SCHUMANN
Compositor alemão
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FRASES:

" A arte é um dos meios que une os homens."
" Cada um viveu tanto, quanto amou."

LEON TOLSTOI
Escritor russo
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HAICAI

Vovó junta a palha
Mamãe prepara os ovinhos
Domingo de Páscoa.

HAZEL DE SÃO FRANCISCO
São Paulo/SP
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DESPEDIDA

A Ferreira Gullar

com fúria deixarei o mundo
aqui tudo será como antes
na secura das palavras
e no remorso vão

reminiscências do que fui
o desejo de ser alinhavo
certo de não levar mágoas
somente o que amei irá comigo

meu verso o passaporte
para um amanhã na eternidade

LUIZ OTÁVIO OLIANI
Lins de Vasconcelos/RJ
in: Fora de Órbita
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OCASO

O Sol estirado
nas paredes dos prédios
entardece todo o verso.
E os prédios
com seus vários olhos
acortinados,
esperam pelo início da noite.
e a conclusão discreta
do poema.

MALUNGO
Recife/PE
in: CD 20 Poemas
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"DEUSOMEM"

crucifícil:
sacrifixo
in
útil
...

ESCOBAR FRANELAS
São Paulo/SP
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UMA LIÇÃO, AINDA ASSIM

Meus poemas falam muito de fim.
Muitos não gostam deles ou de mim.
Não lhe conheço e isso é meio um abuso,
mas falo por não saber se você sabe:
Há poemas que existem
apenas para que você os deteste.
Alguns outros podem salvar sua alma.

SAMMIS REACHERS
São Gonçalo/ RJ
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LEMBRANÇAS

O dia acordou mais cedo.
A manhã caminhou leve
e deixou as sobras da noite.
Caminhei de mundo afora,
meditei com o tempo,
lavei meu rosto no vento,
enxuguei no calor do sol
e fiquei afogado
nas lembranças.

LUIZ FERNANDES DA SILVA
João Pessoa/PB
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FRASE:

"Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço."

KANT
Filósofo alemão
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O BLUES

(...)
Os cantos do trabalho, com seus ritmos uniformes e seus versos pouco rimados, são a outra fonte importante do blues. Há vinte ou trinta anos, ainda era possível cruzar-se com quadrilhas segregadas de trabalhadores negros esparramados ao longo das estradas enlamaçadas do Mississipi, Louisiana ou Texas cortando capim ou arrancando tocos de árvores ou folhagem. Enquanto trabalhavam, seguiam o solista da canção, que se mantinha unido ao cantar breves frases improvisadas às quais eles respondiam com um único verso repetido como um estribilho. Essas canções livres eram os cantos do trabalho e até os anos cinqüenta era possível escutar o padrão rítmico dos estilos dos cantos do trabalho em alguns blues gravados por artistas do Mississipi.
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)

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ESPAÇO DO LEITOR

ARTE ETERNA

Enquanto houver num bosque verdejante
Lindas flores em densa profusão;
E houver da Via-Láctea na amplidão
Milhões de sóis de brilho fulgurante;

E houver nalgum humano coração
Da saudade a presença torturante;
E houver o mimo, o zelo cativante
De mãe trazendo o filho pela mão;

E houver um jovem tendo no seu peito
De ver seu sonho de ouro já defeito
Os espinhos cruéis da dor secreta –

A poesia não terá morrido,
Nem triste ficará por ter nascido
Alguém com a maldição de ser poeta!

CELSO MARTINS
Rio de Janeiro/RJ
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TROVA

Minha vida tão modesta
Falta de amor não reclama,
Se alguém, ali me detesta
Mais adiante alguém me ama.

MARIA DE MELLO BANDEIRA
Santa Maria/RS
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DICA DE LEITURA:

O PARAÍSO ERA ANTES - Poesias e Ilustrações - Lucia Fonseca - Editora da Palavra - 2008. Belíssimo o livro O PARAÍSO ERA ANTES (e será depois, para quem o ler), de ilustrações e poemas da primorosa Lucia Fonseca. Como disse Leon Tolstoi, "se quer ser universal, canta tua aldeia". Lucia canta seu quintal, seu jardim, sua infância, nos poemas que vão se entrelaçando às imagens. Tudo muito pessoal, nos conduz ao nosso próprio paraíso perdido da infância, poemas para serem amados!
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domingo, 6 de julho de 2008

ESCRITOS nº 26


A LENDA DA FLOR-DE-LÓTUS

Certo dia, à margem de um tranqüilo lago solitário, a cuja margem se erguiam frondosas árvores com perfumosas flores de mil cores, e coalhadas de ninhos onde aves canoras chilreavam, encontraram-se quatro elementos irmãos: o fogo, o ar, a água e a terra.
- Quanto tempo sem nos vermos em nossa nudez primitiva - disse o fogo cheio de entusiasmo, como é de sua natureza.
- É verdade - disse o ar. - É um destino bem curioso o nosso. À custa de tanto nos prestarmos para construir formas e mais formas, tornamo-nos escravos de nossa obra e perdemos nossa liberdade.
- Não te queixes - disse a água -, pois estamos obedecendo à Lei, e é um Divino Prazer servir à Criação. Por outro lado, não perdemos nossa liberdade; tu corres de um lado para outro, à tua vontade; o irmão fogo, entra e sai por toda parte servindo a vida e a morte. Eu faço o mesmo.
- Em todo o caso, sou eu quem deveria me queixar - disse a terra - pois estou sempre imóvel, e mesmo sem minha vontade, dou voltas e mais voltas, sem descansar no mesmo espaço.
- Não entristeçais minha felicidade ao ver-nos - tornou a dizer o fogo - com discussões supérfluas. É melhor festejarmos estes momentos em que nos encontrarmos fora da forma. Regozijemo-nos à sombra destas árvores e à margem deste lago formado pela nossa união.
Todos o aplaudiram e se entregaram ao mais feliz companheirismo. Cada um contou o que havia feito durante sua longa ausência, as maravilhas que tinham construído e destruído. Cada um se orgulhou de se haver prestado para que a Vida se manifestasse através de formas sempre mais belas e mais perfeitas. E mais se regozijaram, pensando na multidão de vezes que se uniram fragmentariamente para o seu trabalho. Em meio de tão grande alegria, existia uma nuvem: o homem. Ah! como ele era ingrato. Haviam-no construído com seus mais perfeitos e puros materiais, e o homem abusava deles, perdendo-os. Tiveram desejo de retirar sua cooperação e privá-lo de realizar suas experiências no plano físico. Porém a nuvem dissipou-se e a alegria voltou a reinar entre os quatro irmãos. Aproximando-se o momento de se separarem, pensaram em deixar uma recordação que perpetuasse através das idades a felicidade de seu encontro. Resolveram criar alguma coisa especial que, composta de fragmentos de cada um deles harmonicamente combinados, fosse também a expressão de suas diferenças e independência, e servisse de símbolo e exemplo para o homem. Houve muitos projetos que foram abandonados por serem incompletos e insuficientes. Por fim, refletindo-se no lago, os quatro disseram:
- E se construíssemos uma planta cujas raízes estivessem no fundo do lago, a haste na água e as folhas e flores fora dela?
- A idéia pareceu digna de experiência. Eu porei as melhores forças de minhas entranhas - disse a terra - e alimentarei suas raízes.
- Eu porei as melhores linfas de meus seios - disse a água - e farei crescer sua haste.
- Eu porei minhas melhores brisas - disse o ar - e tonificarei a planta.
- Eu porei todo o meu calor - disse o fogo - para dar às suas corolas as mais formosas cores.
Dito e feito. Os quatro irmãos começaram a sua obra. Fibra sobre fibra foram construídas as raízes, a haste, as folhas e as flores. O sol abençoou-a e a planta deu entrada na flora regional, saudada como rainha. Quando os quatro elementos se separaram, a Flor-de-Lótus brilhava no lago em sua beleza imaculada, e servia para o homem como símbolo da pureza e perfeição humana.
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AMOR ENCANTO ÊXTASE

Vibra o verso no anverso
desta página

ó infinita finitude de sempre

silêncio

ESCOBAR FRANELAS
São Paulo/SP
in: HARDROCKCORENROLL
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AMPULHETA DE PROUST

Não quero saber
Do tempo perdido
Nem do tempo fruído
Não sou de ficar esperando
Nem Godot, nem Godard
Meu negócio é a ampulheta
Empulhando o tempo
Nos bolsos de Marcel Proust.

ANTÔNIO CABRAL FILHO
Rio de Janeiro/RJ
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A HORA É PASSADA

A hora é passada
sempre em meu presente,
e não vivo mais nada
a não ser o ausente
momento em que vivo
dentro dessa hora,
e mais que isso é o juízo
que o futuro ignora.

ANDRÉ BONIATTI
Corbélia/PR
in: Girante Popular
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ficar quieta
quase morta
não mover um sonho

adormecer
por dentro

real:
lugar estreito
onde nada cabe
por inteiro

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Aurora Gris
Contato com a autora:
Av. Eng. Luís La Scala Jr., 186
CEP.: 11075-150 - Santos/SP
e-mail: walmordario@ig.com.br
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QUERÊNCIA

Te quero!
Ah! Como te quero!
É o vinho antigo
que embebeda, embriaga.
É o cheiro forte do campo.
É o ar doce dos apaixonados.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Um Poeta na Itália
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DUETO

Em silêncio nós dois lavamos a louça
depois de mais um almoço de domingo;
nossa filha brinca no computador,
a tarde é quente e não traz alívio
observar as nuvens tão indiferentes
ao que somos e ao que de nós sobrou.

Despejo detergente na buchinha
e vou esfregando pratos, talheres,
panelas, tampas e um escorredor.
As louças são da época do casamento
e apresentam cantos lascados e riscos
de facas que cortaram nosso alimento.

Um jogo novo de jantar, de porcelana,
dorme no armário, meio esquecido.
Quase não o usamos, não por raiva,
apenas por falta de curiosidade
de provar as coisas sem as marcas
dos dias que, perdidos, são tão nossos.

Do almoço em que você tanto se esmerou
e que em poucos minutos devoramos
restou apenas sujeira, esses detritos.
Despejo mais detergente na buchinha
esfrego com fúria, não desisto.

Na cuba da pia, no olho do ralo,
acumula-se uma camada de restos.
Grãos, pedaços de carne e de cebola,
folhas verdes e o recente caco de louça
tirado de um prato contra o granito.

Não nos olhamos neste domingo
- dia de folga, mas não se folga
neste trabalho escravo de ser.
Cuidamos da louça, você a enxuga
e nossas mãos então se cruzam
sobre o escorredor transbordante
de coisas úmidas e limpas e lascadas.

Esta é a nossa vida, nossa casa.
Poderíamos estar felizes com isso
e talvez até estejamos, lá no fundo.
E afundo as mãos na cuba e retiro
uma faca ainda muito engordurada
como nossa alma sem brilho.

Quando não restam mais louças
para que nelas possamos exercitar
um desejo frustrado de limpeza,
quando tudo volta ao armário
nós nos sentamos na varanda
e damos as mãos como namorados
- mãos macias, brancas e enrugadas
de muito tempo expostas à água,
mãos talvez já sem pecados.

MIGUEL SANCHES NETO
Ponta Grossa/PR
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MENSAGENS:

* Viver intensamente a vida é pregar e exercer o amor permanente.
* A punição dos maus é feita por eles mesmos, cumprindo a lei de causa e efeito.
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FRASE ANÔNIMA:

Eu lavo e semeio. Se não colher, alguém colherá. Meu celeiro pode arder, mas a semente no solo está segura e crescerá. (LAVRADOR POLONÊS)
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FRASES:

"Uma sociedade de carneiros acaba por gerar um governo de lobos." VICTOR HUGO - Escritor francês
"Sem o poder da crítica, nenhum elogio é válido." BEAUMARCHAIS - Escritor francês

O BLUES

(...)
Ainda hoje, às vezes, no sul dos Estados Unidos, pode-se caminhar por uma estrada do campo e, de um pasto iluminado pelo sol e de um curral perto de uma casa de lâminas alfálticas, ouvir alguém que canta sozinho. As canções tem um ritmo livre e simples, com estrofes breves de uma ou duas frases melódicas e o nome que normalmente recebem é hollers. São estas melodias que se tornaram uma das duas fontes mais importantes das quais se derivou o blues.
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)

ESPAÇO DO LEITOR

EU E O BEIJA-FLOR

No exuberante jardim
Do meu coração,
Bem num cantinho,
Nasceu uma Margarida.
No meu sentir,
Formosa e perfumada.
Acariciei-a com ardor.
Soltei longos suspiros.
Beijei-a e sussurrei:
- Até amanhã.
Saí. E um beija-flor
Beijou-a também!

JOÃO BATISTA SERRA
Caucaia/CE
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RIOS DESLUMBRANTES

Rios deslumbrantes
Escorrem sobre vales
Saciam a sede de matas
Cavoucam novos caminhos
Deixam rastros de sua passagem
Eternos rios deslumbrantes
Artérias de vida
Sementes de várias épocas.

ADÃO WONS
Cotiporã/RS
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CACOFOTROVA

Julieta, outro flertando,
Ao amado aborreceu
E falou, se desculpando:
"Perdoa este erro meu!"

PAULO FERNANDO MACIEL RODRIGUES
Santa Maria/RS
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TROVA

Da noite negro tapume,
a completa escuridão,
faz, de estrela, um vagalume
e, de céu, o nosso chão!

FERNANDO VASCONCELOS
Ponta Grossa/PR
in: Gotinhas de Orvalho
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"Para os velhos todos os valores são exacerbados: pelo alto custo dos erros, pela escassez do tempo, pelo contínuo acréscimo de impotência."

MARIA JOSÉ GIGLIO
São Roque/SP
in: Reflexões II
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DICAS DE LEITURA

DITOS, ADÁGIOS E AFORISMOS - Citações - Humberto Del Maestro - 2008. Humberto Del Maestro apresenta neste quarto volume, ditos, adágios e aforismos, atingindo com esta publicação, aproximadamente 3.500 citações no gênero.

ESCADA DE MADEIRA - Poemas - Aparecida Mariano de Barros - Editora Degaspari - 2008. Neste volume de poemas, trovas, haicais e 4 crônicas, a autora revela um espírito sensível às coisas da sua terra e do espírito recolhido em seus sentimentos e divagações. Boa leitura para quem aprecia o acento romântico da inspiração.

LUME - Poemas - Hazel de São Francisco - Neste livro de poemas a autora desfila paisagens cotidianas de lirismo e simplicidade.

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sábado, 3 de maio de 2008



ESCRITOS Nº 25

ENCANTO DO DIAMANTE
Lenda

Conta-se que há uma forte união entre os diamantes e os astros. Os garimpeiros antigos contavam que para cada estrela no céu existia um diamante na terra. O garimpeiro só achava o diamante se os astros permitissem. Para que isso acontecesse era preciso ocorrer o "bambúrrio", uma encantamento entre o garimpeiro, a pedra e os astros (estrelas), era essa união que dava sorte ao garimpeiro para achar os diamantes - "E quando o garimpeiro vê a luz correr na serra ele sabe: é o chamado do diamante. Ele foi escolhido. Homem, diamante e estrela: está fechado o triângulo da magia." Assim nasce o "encantamento". A lenda conta que as pedras preciosas da Chapada tinham o poder de se esconder dos maus garimpeiros, ou seja, elas só apareciam nas bateias de seus supostos donos, aqueles predestinados a serem seus donos. Segundo a crença do Chamamento, os diamantes atraem seus donos por causa de sua luz e seu som peculiar. O Chamamento consiste no fenômeno no qual o garimpeiro, quando se aproxima de sua pedra, escuta leves batidas nela e vê uma intensa luz sobre a serra.



NOTURNO II

Eu creio em noites.
Rainer Maria Rilke

Aqui é noite.
Definitiva noite
como dentro de um fruto.
Um peixe que se percebesse só no oceano
talvez sentisse medo.
E no entanto é só que ele nada
o mais das vezes. Aqui é noite.
Apalpo sementes no ventre escuro do sono.
Tudo é tão quieto, calado, enrodilhado em pelúcia.
Que longas, as gestações!
O mendigo, o palhaço, o príncipe, o bêbado, o triste
se fazem assim, no escuro – só mais tarde, sob as luzes
serão coroados.
Nessa hora, entre todas, a mais silenciosa,
imóveis dormem sonhos e poemas – sementes na bruma.
Ouvir-lhes o silêncio, o sono,
confiar – eis tudo.

LUCIA FONSECA
Rio de Janeiro/RJ
in: Cantares
Editora da Palavra
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FRASES:

"O segredo do êxito na vida de um homem está em preparar-se para aproveitar a ocasião, quando ela se apresenta." DISRAELI - Político e Escritor inglês
"Não peço riquezas nem esperanças, nem amor, nem um amigo que me compreenda. Tudo o que eu peço é um céu sobre mim e um caminho a meus pés." ROBERT LOUIS STEVENSON - Escritor norte-americano
"Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreendê-las." SÊNECA - Filósofo e Escritor romano
"Um escritor é essencialmente um homem que não se resigna à solidão. Cada um de nós é um deserto." MAURIAC - Escritor francês
"Os homens a quem se fala não são aqueles com quem se conversa." ROUSSEAU - Filósofo francês
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começa na boca
a voragem do amor

depois escoa
e desemboca
na flor

da pele
acesa

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Aurora Gris
Contato com a autora:
Av. Eng. Luís La Scala Jr., 186
CEP.: 11075-150 - Santos/SP
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS ALEGRIAS...

Você é como um pássaro
de asas abertas,
recebendo meu abraço,
estreitando nossos laços.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...

LIVROS DE EUNICE MENDES:

Aurora Gris – Valor: R$ 15,00
Flores e Frutos – Valor: R$ 15,00
Sino dos Ventos (Haikais) – Valor: R$ 5,00
Lua na Janela (Haikais) – Valor: R$ 5,00
Espaços do Vazio (Haikais) – Valor: R$ 5,00
Nuvens de Sol – Valor: R$ 10,00
Sonhares – Valor: R$ 15,00

LIVROS DE WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO:

Poemas Bluseiros – Valor: R$ 10,00
Um Poeta na Itália – Valor: R$ 10,00
A Multiplicação do Nada – Valor: R$ 10,00
Memórias – Valor: R$ 10,00

A PRODUÇÃO DE PAPEL

O papel é um conjunto de fibras de celulose entrelaçadas, podendo se obter várias qualidades. Essas fibras são derivadas de celulose da madeira, de trapos, plantas ou mesmo do próprio papel reciclado. Apesar da forma de confecção vir de papiros egípcios e dos chineses, o modo de fazer é basicamente o mesmo:
1- Preparação da massa misturando as fibras em tanques com produtos químicos para aumentar a maciez e opacidade do produto.
2- Misturadas todas as matérias-primas e com água de 99%, a folha é formada numa tela plástica perfurada que reduz a água para 80%.
3- Depois disso o papel é prensado reduzindo sua água para 55%, o resto da água é eliminada pelo calor na secagem. Depois da primeira secagem, ele é tratado para melhorar sua resistência e depois recebe a segunda secagem.
4- Após isso dá-se a lisura ao papel, depois enrolado e transformado em bobinas ou cortado em folhas e vendido.
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FRASES ANÔNIMAS:

"A vida não é curta, você é que fica morto tempo demais."
"Vendedor é o sujeito que consegue vender uma ordenhadeira mecânica ao camponês que só tem uma vaca, e que ainda precisa dá-la como parte do pagamento."



DESTINO

o tempo agride os homens
ele nos torna pó

somente escorpiões sobrevivem
no jardim
onde sol inclemente reverdece

mesmo o poeta
não passa impune frente
à Indesejada das gentes

LUIZ OTÁVIO OLIANI
Lins de Vasconcelos/RJ
in: Fora de Órbita

PEQUENO DICIONÁRIO ESPANHOL

Oreja: Orelha
Plátano: Banana
Abeja: Abelha
Tuerca: Porca
Candado: Cadeado
Paloma: Pomba
Cucaracha: Barata
Enchufe: Tomada
Mortaza: Mostarda
Huevo: Ovo

HAICAI

Sorrateiramente. . .
Os gatos passeiam na noite
E a brisa também.

HAZEL DE SÃO FRANCISCO
São Paulo/SP
___________

SOMBRAS VAGANTES

Nublado dia de chuva.
Abri um guarda-roupas
há muito encostado.
Cabides vazios,
rastros sem vida.
Numa caixa, a camisa branca
de peito pregueado.
Gravata-borboleta,
o smoking.
Na outra,
meu vestido prateado.
Sapatos recobertos
com o mesmo tecido.
Luvas cano longo,
acetinadas.
A estola de pele.
Do outro lado,
um robe-de-chambre escuro,
com bolinhas brancas.
Os chinelos dele.
A pelica, chegando
ao calcanhar.
Palmilhas acolchoadas.
Fechei o móvel.
Abri a janela, angustiada.
Lá embaixo as samambaias.
Um tico-tico sobre o rancho.
O sol que espiou,
é o mesmo que alumiou
dias do nunca mais...

APARECIDA MARIANO DE BARROS
Jundiaí/SP
in: A serenata, o luar e a saudade
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O BLUES

(...)
O que também ajuda a pensar que Mississípi é o lugar de origem do blues é o grande número de cantores dos condados do Delta que podem ser lembrados e a quantidade de canções que interpretavam, que podem referir-se aos cantos do trabalho nas fazendas ou nos campos de prisioneiros. É importante destacar, no entanto, que não existe uma razão sociológica ou histórica que explique porque a estrofe do blues teve a forma que teve. Alguém cantou o primeiro blues. Parece que não existe nenhuma forma de descobrir quem foi o cantor ou quem desenvolveu pela primeira vez o blues tal e qual o conhecemos, mas trata-se de uma música com uma forma específica, e em alguma parte, provavelmente numa cabana do Delta, um cantor que conhecia as melodias e as estrofes improvisadas dos cantos de trabalho do Mississípi, decidiu cantá-las de uma maneira nova. Aí nasceu o blues.
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)



ESPAÇO DO LEITOR

Leio meu corpo na linguagem
dos astros.
Percorro galáxias
nas curvas da lua.
Debulho mistérios
em noites vadias.
De atrevida loucura lúcida,
jorram perguntas,
ejaculam respostas,
engravido liberdade.

ZAIRA CANTARELLI
Porto Alegre/RS
in: Vôo Independente 4
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ISADORA

Hoje é teu aniversário
Minha amiguinha querida
Desejo-te felicidades
Para toda tua vida

E por toda tua vida
Amparada por Jesus
Dando passos com firmeza
Repletos de alegrias e luz

És uma criança linda
Transmites muita emoção
Que estarás para sempre
Dentro do meu coração

Dentro do meu coração
Conquistas-te este lugarzinho
E ficarás eternamente
Com muito amor e carinho

Amiguinha Isadora
Receba com alegria
Esta singela homenagem
Em forma de poesia

PAULO PEREIRA DE MELLO
Santa Maria/RS
26/02/2008
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FAZENDO AMOR

Foi amor a primeira vez
e na segunda também
hoje, "quantas vezes amor"?
me perguntas entre o
merengue e o abismo
do nosso abraço
te respondo com olhos
de primeira vez
fazendo como da
primeira vez.

HAYDÉE S. HOSTIN LIMA
Santa Maria/RS
in: Telhado de Vidro
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TROVAS

Inda veremos, nas liças,
muitos horrores insanos,
por causa das injustiças
e dos delitos humanos!

ALOÍSIO BEZERRA
Fortaleza/CE

*

"No ano que vem" - diz o povo -
"tudo vai ser diferente!" -
sem perceber que o Ano Novo
começa dentro da gente!

RENATA PACCOLA
São Paulo/SP

*

Digo-vos nesse instante
Isso sem sair do tom
Se é bom ser importante
Mais importante é ser bom.

ANTONIO PEREIRA DE MELLO
Santa Maria/RS
in: Seara de Versos

DICAS DE LEITURA

CANTARES - LUCIA FONSECA - Poesia - Editora da Palavra, 2007 - Belos, delicados, sensíveis e intimistas são esses Cantares que nos trazem de volta a consagrada poeta Lucia Fonseca. Escritos nas décadas de oitenta e noventa, segundo a autora, "eram uma coletânea já pronta que, depois de lida e relida, sofreu poucas modificações." Para quem sempre desconfiou que seu chão era a poesia, Lucia alça vôos nestes poemas onde tudo é paixão. Poesia pura!

PAISAGEM

A neve caiu.
Todo o dia, toda a noite,
a neve caiu.
E a manhã surpreendeu a cidade adormecida
sob o casulo.

Também as dores
silenciadas
(tanto tempo, tanto tempo)
sob os cabelos brancos.

LETRAS CONTEMPORÂNEAS Vol. 10 - Vários Autores - Prosa e poesia - Igaçaba Produções Culturais, 2007 - Organizada por João Weber Griebeler, esta antologia reúne 75 autores, nacionais e estrangeiros, com textos de poesia e prosa, em vários estilos. Entre eles a portuguesa Maria Romana da Costa Lopes Rosa, com o soneto:

SUBLIME É O AMOR

Amor é sentimento de eleição,
Um bem especial, com tal magia,
Que chega ao universo da paixão
E envolve a nossa alma de poesia!

Amor é semelhante a uma oração,
Força que resplandece e alumia
E nos conduz à paz e à perfeição,
Transforma o sofrimento em harmonia!

Amor é como um cálice de vida,
A essência milagrosa... uma bebida
De cor tão singular e transparente;

Sublime é, pois, o amor por natureza
E nele o altruímo tem grandeza
E o homem mais feliz e consciente!...

PERSONAGENS E DIÁLOGOS - JAIME PUSCH - Minicontos - 2007. Coletânea de bem humorados e criativos minicontos sobre o escritor e suas relações com o mundo; diálogos entre personagens e seu autor. Jaime é um escritor eclético, com livros publicados em vários gêneros. Vale a pena conferir!

RECORDAÇÕES DA CASA VELHA DA PONTE - ELIAS ANTUNES - Novelas - 2006 - LGE Editora. Literatura de alto nível é o que Elias Antunes apresenta neste volume onde três histórias independentes, de narrativas diferentes, mostram os anseios da alma humana e seus conflitos com a sociedade. Leitura indispensável para conhecer um dos mais importantes nomes da literatura contemorânea.

OFÍCIO - REGINA ALONSO - Poesia - KROART Editores - 2008. Primeiro livro desta autora premiada em verso e prosa. Regina Alonso vive o ofício da poesia com a paixão de quem ama, canta, chora. Para quem gosta de intimismo e delicadeza, Ofício preenche todos os vãos das almas sedentas de poesia. Confira:

CAMINHANDO

Na grama, já começam a despontar
buquezinhos de azedinhas...
São mimosas, coloridas, delicadas.
Contrastam com o rude capim.

Não as conheces?
Com certeza, tua infância não correu
descalça, pelos campos!

CONTOS SOB SUSPEITA - P. J. RIBEIRO - 2008 - Edições Totem. Nestes minicontos, P. J. Ribeiro capricha no bom humor e no sarcarmo. Quem conhece o autor já conhece seu estilo inconfundível, sempre insólito.
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Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa, que poderão vir a ser publicados se estiverem de acordo com o perfil da nossa linha editorial. Os textos aqui publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores. O fanzine impresso pode ser adquirido pelo custo simbólico de R$ 2,00 (dois reais) - Assinatura Anual: R$ 10,00 (dez reais). Maiores informações entre em contato com o editor: Walmor Dario Santos Colmenero - Endereço Postal: Pça Nossa Senhora das Graças, 76 apto. 11 CEP.: 11390-090 Vila Valença - São Vicente/SP - Endereço eletrônico:
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